Após a goleada e toda a confusão, o CRB se classificou para a próxima fase do Campeonato Brasileiro da Série C. Mesmo assim, o treinador Flávio Lopes - o mesmo que já comandou América e Villa Nova - foi demitido ao vivo em um programa de rádio local.
Depois da derrota de 4 a 0 para o Fortaleza, no sábado, Flávio Lopes afirmou que os jogadores do clube alagoano ficaram dois dias sem comer e sem dormir. Além disso, o técnico comparou o gramado do Estádio da Pajuçara (local onde o CRB manda seus jogos) a uma quadra de ginásio poliesportivo, pois o chão é muito duro.
Técnico Flávio Lopes foi demitido pela direção do CRB durante
entrevista, ao vivo, do presidente executivo a uma rádio local
Na manhã do domingo, Flávio Lopes concedia entrevista por telefone ao programa Domingão Esportivo, da Rádio Difusora de Alagoas, e confirmou tudo o que disse após o jogo contra o Fortaleza. Pouco tempo depois, o presidente executivo do CRB, Marcos Barbosa, entrou em contato com a redação da rádio. Barbosa entrou ao vivo também por telefone e desmentiu o treinador.
“Isso que o treinador (Flávio Lopes) afirmou não condiz com a verdade. Não faltou comida em Sobral. A presidência do CRB não vai admitir isso. Ele tem que respeitar a diretoria e a torcida do CRB. O técnico está dispensado. Ao vivo, eu anuncio para todos os alagoanos que o treinador está demitido”, sentenciou o dirigente.
A direção do CRB anunciou no final da tarde desta segunda-feira Paulo Sérgio Comelli como o novo treinador do CRB para a sequência da equipe no Campeonato Brasileiro da Série C. O CRB estreia na próxima fase diante do Paysandu, neste sábado às 17h, no Estádio Rei Pelé, em Maceió.
Como se não bastassem os atrasos nas obras de infraestrutura e estádios, além das acusações de superfaturamento em licitações para a realização destas mesmas obras, o Brasil agora assiste a uma suposta fraude na disputa da Série C do Campeonato Brasileiro. Precisando fazer quatro gols para não ser rebaixado para a Série D, o Fortaleza venceu por 4 a 0 o CRB, de Alagoas, nesse sábado no Estádio Presidente Vargas, no Ceará, e escapou da degola. Mas o resultado se deu sob vários protestos do Campinense-PB que acabou despromovido à Quarta Divisão.
O caso teve desdobramento nesta segunda-feira, quando o árbitro Gutemberg de Paula Fonseca ficou sabendo do vídeo da TV Pajuçara, que mostra Carlinhos Bala, atacante do Fortaleza, fazendo o sinal do “número 1” para os zagueiros rivais após a marcação do terceiro gol. Na sequência, Bala e Gustavo Papa conversam com um jogador adversário no meio-campo.
Veja o vídeo da suposta "armação" entre jogadores do Fortaleza e do CRB. (Crédito: UOL Esporte)
Em entrevista ao site GloboEsporte.com, Gutemberg Fonseca revelou que os atletas dos dois times conversavam o tempo todo para saber quanto estava o jogo entre Campinense e Guarany, de Sobral.
“Isso para mim é novidade, acabo de saber sobre esse vídeo por vocês. Nem eu, nem os assistentes. O que eu percebi é que, às vezes, os jogadores dos dois times conversavam entre si sobre o jogo do Campinense. Era toda hora um perguntando ‘quanto está lá?’ e o outro respondendo com o placar”, afirmou o árbitro.
A derrota do Campinense interessava ao Fortaleza, que assim não seria rebaixado, e o insucesso do Guarany na partida era melhor para o CRB, que se classificava.
Minutos depois, a TV Pajuçara flagrou um zagueiro do CRB conversando com o seu goleiro – que na verdade era o volante – e, supostamente, dizendo “deixa fazer”. Depois, um auxiliar da comissão técnica do Fortaleza também foi visto se aproximando do goleiro.
Ação no STJD
O Campinense promete acionar o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para punir o Fortaleza. "Estamos indignados com tudo o que aconteceu. E não somos nós quem estamos simplesmente reclamando. Os fatos são flagrantes e mostram que o que aconteceu ontem (sábado) foi um absurdo. Vamos atrás da justiça, porque não seremos omissos nunca", desabafou Tiago Melo, coordenador de comunicação do Campinense, ao site GloboEsporte.com.
O time paraibano deve pleitear a anulação dos pontos, o rebaixamento do Fortaleza e a permanência do Campinense na Série C, mesmo que a decisão seja difícil. "Mesmo que a ação não garanta nada para o Campinense, alguém tem que ser punido. Estamos a menos de três anos de uma Copa do Mundo no Brasil e é um absurdo que este tipo de situação ainda aconteça", alertou Melo.
Entenda o caso
Fortaleza e Campinense lutavam contra o rebaixamento para a Série D do Campeonato Brasileiro. Cearenses e paraibanos começaram a última rodada da Série C com seis pontos e uma vitória cada. A diferença era no saldo de gols: o Campinense tinha saldo menos dois e o Fortaleza devia cinco.
Como o Campinense venceu por 1 a 0 o Guarany-CE, o Fortaleza teria que golear por diferença de quatro gols o CRB. Assim, os cearenses terminavam na frente pelo número de gols marcados. E foi o que aconteceu. Mas o detalhe é que, ao final do primeiro tempo, o Fortaleza empatava o CRB em 0 a 0. O time da casa atrasou o retorno para a segunda etapa e ficou sabendo, com antecedência, o resultado final da partida do Campinense. Assim, eles saberiam quantos gols deveriam fazer para não cair.
Até que, aos seis minutos do segundo tempo o Fortaleza abriu o marcador. Pouco tempo depois, o goleiro Cristiano foi expulso ao se desentender com um gandula. Como o CRB já tinha feito as três alterações, o volante Roberto Lopes foi para o gol. Não demorou para o Fortaleza marcar o segundo gol.
Até aí, o Fortaleza se salvava, pois o Campinense estava empatando com o Guarany. Mas veio a notícia de que os alagoanos fizeram o único gol da partida nos acréscimos e vencido. Desta forma, o Fortaleza precisava de mais dois gols para não cair. E aconteceu. Os cearenses marcaram dois gols em quatro minutos (aos 39 e aos 43 do segundo tempo), salvando o Leão da queda para a Série D do Brasileiro e mandando o Campinense para a Quarta Divisão.