Não quero me passar por Mãe Dináh, mas a confusão instalada nas últimas semanas no Atlético já era prevista. Em 28 de fevereiro, um dia após o time sofrer a primeira derrota na temporada, 2 a 1 para o América, questionei no meu Twitter o por quê Dorival Júnior tomava certas decisões.
Jogadores demorando para entrar em forma; outros que não tinham condições de entrar jogando, mas entravam; e alegações de que atletas ainda estavam em recuperação física e por isso não podiam atuar, não eram desculpas plausíveis para se dar. O time teve muito tempo para se preparar fisicamente e, definitivamente, esta não poderia ser a melhor explicação para a não escalação de alguns jogadores.
Estava na cara que as atitudes de Dorival incomodariam alguns jogadores. Respeito o técnico e acho que é um grande profissional. Mas na minha humilde opinião, as atitudes de Dorival é que foram responsáveis pela crise instalada.
O técnico montou o time no início do ano e não contava com as saídas de Obina e Diego Souza. Mesmo assim montou o time e venceu as cinco primeiras partidas do ano. Veio a venda de Diego Tardelli e com ela o treinador também não contava. Ficou desorientado. Isso não foi culpa dele. Reconheço.
Mas colocar o Mancini durante os jogos para ganhar ritmo de jogo e preterir o Diego Souza não entrava na minha cabeça. Como é que o jogador vai conseguir entrar em forma se não atuar nem que sejam 30 minutos? Como explicar para os outros jogadores a insistência e tanta paciência com Renan Oliveira e Ricardo Bueno, enquanto não se tem o mesmo tratamento com Magno Alves, Jobson, Diego Souza e Daniel Carvalho?
Magno Alves foi sacado do time porque não obedecia às instruções do treinador. Mas “O Magnata” estava jogando bem e até fazendo gols, o que Ricardo Bueno não fazia e ainda atuava mal. Daniel Carvalho vive brigando com a balança, mas não tem oportunidade. Que Dorival coloque o meia-atacante para mostrar que ele não tem condições físicas ainda de jogar.
Hoje, Dorival tem pouco mais de 69% de aproveitamento dirigindo o Atlético. Este ano, venceu o clássico contra o Cruzeiro e em 11 jogos, ganhou sete, empatou dois e perdeu dois. São números bons. Porém um treinador não vive de resultados, como muitos dizem. Eles “sobrevivem” de atitudes. É o trabalho do dia a dia no relacionamento com imprensa e jogadores que é avaliado. E no trato com jogadores Dorival não se deu bem.
Após as saídas de Obina, Tardelli, Diego Souza, Jobson, Ricardinho e Zé Luís, e as chegadas de apenas dois reforços, os Guilhermes (o lateral-esquerdo e o atacante) o que irá fazer Dorival para remontar o elenco atleticano para o Campeonato Brasileiro? Contratações virão, mas serão de qualidade para suprir as saídas?
As inscrições para o Mineiro estão encerradas e eu não creio que o time esteja preparado para seguir longe na Copa do Brasil depois dos últimos acontecimentos. Será que Ricardinho e Zé Luís eram as “maçãs podres” e que agora tudo irá melhorar? Não acredito. Daniel Carvalho que fique esperto, pois poderá ser o próximo.
Penso que Dorival não soube lidar com as “estrelas” do elenco. Digo estrelas entre aspas porque muitos ali se consideram como tal, mas na verdade não são. Já foram ótimos atletas no passado, mas agora não são mais.
Aliás, este é um problema grave no Atlético: contratar jogadores que atuaram bem no passado, mas que no presente ostentam somente o nome e que, na verdade, passam por fase de recuperação técnica e física. Se quiser almejar títulos, o clube deve repensar os métodos de contratação e deixar de ser Casa de Recuperação.
sábado, 2 de abril de 2011
domingo, 27 de março de 2011
Esqueceram de Mim 2
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| Assim como Fábio, Henrique também foi "esquecido" por Mano no jogo contra a Escócia (Foto: Vipcomm) |
Sucesso do cinema, o filme lançado em 1992 retrata muito bem a situação de dois cruzeirenses na Seleção Brasileira do técnico Mano Menezes. Podemos dizer que o primeiro jogador celeste a estrelar o filme foi o goleiro Fábio, esquecido diversas vezes das listas de convocações.
Agora foi a vez de Henrique protagonizar a continuação do longa cruzeirense. Chamado para o amistoso contra a Escócia, o volante não saiu do banco de reservas na vitória brasileira por 2 a 0, neste domingo, em Londres.
Sinceramente, não entendi a postura do Mano. O treinador efetuou cinco substituições na partida, sendo quatro jogadores que atuam no meio-campo. Se Henrique foi convocado pela primeira vez, não seria justo que ele entrasse para ser observado? Ou o Mano se contentou em observar o volante apenas na partida do Cruzeiro contra o Tolima, pela Libertadores?
No meio entraram Sandro, Elias, Lucas (São Paulo) e Renato Augusto. O jovem meia do São Paulo foi chamado pela primeira vez para a Seleção principal e foi colocado em campo. Os outros três já tiveram outras oportunidades. Por que não Henrique? Elias foi comandado por Mano no Corinthians. Já o conhece o suficiente.
Se os amistosos servem para fazer testes e observações, Mano só os fazem com jogadores que lhe convém.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Duelo onde há apenas dois vencedores
A “guerra” em que se transformou a transmissão do Campeonato Brasileiro a partir do ano que vem continua acirrada. Clube dos 13 e a Rede TV! de um lado contra a TV Globo do outro. Esta celeuma criada no cenário do futebol brasileiro às vésperas de uma Copa do Mundo no país poderá transformar o torneio nacional dos próximos anos, com relação à desigualdade nas cotas de TV. O resultado desta luta nos bastidores todos já sabem: apenas Corinthians e Flamengo saem lucrando. E lucrando no sentido literal da palavra.
Muitos veículos e jornalistas, inclusive este blog, já falaram sobre o abismo que podia se criar entre os times do Brasileirão por causa da diferença nas receitas e da nova divisão proposta pela Rede Globo ao negociar separadamente.
Comparando o valor obtido por Atlético e Cruzeiro em 2011 e projetando-se o que ambos poderiam ganhar no próximo ano – com base no contrato firmado entre Globo e Cruzeiro – nota-se que o grupo de times formado por mineiros, gaúchos e dois cariocas vai conseguir menos da metade da grana alcançada pelo primeiro grupo, formado agora por Corinthians e Flamengo.
Se no contrato atual, Atlético e Cruzeiro (Grupo 3) ganham 28,6% menos que o Grupo 1 – conjunto que mais fatura da TV –, a partir de 2012, ambos receberão os mesmos 28,6% a menos, só que em relação ao Grupo 2. Se compararmos com o primeiro grupo, a diferença sobe para 52,4%. Eis o abismo, repito, que muitos diziam, inclusive este blogueiro.
Vasco e Palmeiras, que até este ano embolsavam o mesmo que Corinthians e Flamengo, irão receber 33,3% a menos. A discrepância entre o primeiro escalão e o quarto grupo é ainda maior. O Atlético-PR, que pelo contrato atual recebe 46,5% menos que Corinthians e Flamengo, ganhará 71,5% menos.
Vale lembrar que a conta foi feita baseando-se em números apurados e noticiados na imprensa nacional, já que, por contrato, os clubes não podem divulgar o valor do acordo assinado com a TV Globo.
Segue abaixo a conta que fiz.
Contrato atual (cotas de TV Brasileirão 2009-2011):
Grupo 1: Corinthians, Flamengo, Vasco, Palmeiras e São Paulo – R$ 16,8 milhões
Grupo 2: Santos – R$ 14,4 milhões (14,3% a menos que o Grupo 1)
Grupo 3: Grêmio, Inter, Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense e Botafogo – R$ 12 milhões (16,7% a menos que o Grupo 2 e 28,6% a menos que o Grupo 1)
Grupo 4: Atlético-PR, Bahia, Coritiba, Goiás, Guarani, Portuguesa, Sport e Vitória – R$ 9 milhões (25% a menos que o Grupo 3; 37,5% menos que o Grupo 2 e 46,5% menos que o Grupo 1)
Contrato a partir de 2012 (valores estimados referentes aos acordos assinados diretamente entre os clubes e a TV Globo até o dia 25/03/2011):
Grupo 1: Corinthians e Flamengo – R$ 105 milhões
Grupo 2: Santos, Vasco e Palmeiras – R$ 70 milhões (33,3% a menos que o Grupo 1)
Grupo 3: Grêmio e Cruzeiro – R$ 50 milhões (28,6% a menos que o Grupo 2 e 52,4% menos que o Grupo 1)
Grupo 4: Bahia, Goiás, Coritiba, Sport e Vitória – R$ 30 milhões (40% a menos que o Grupo 3; 57,2% menos que o Grupo 2 e 71,5% menos que o Grupo 1)
sexta-feira, 18 de março de 2011
Tradição e algo a mais
Disputar uma Copa Libertadores requer tradição da equipe na competição e, muito mais do que isso, uma dose extra de vontade e inteligência, além da experiência dos jogadores. O que estamos vendo na edição 2011 é uma prova. Cruzeiro (com 12 participações), Internacional (com nove) e Grêmio (com 13) estão bem nos seus grupos e vão passar sem problemas para as oitavas-de-final.
Além do número de participações, os três clubes têm jogadores “rodados” na Libertadores e sabem atuar em jogos sul-americanos. A soma destes conjuntos faz o sucesso de um time na competição. A Raposa tem uma base montada desde 2008, quando chegou à final do torneio. O time mineiro disputa a quarta Libertadores seguida e tem atletas como Fábio e Marquinhos Paraná. Cada um já disputou 40 jogos pela competição internacional. Além de Victorino, Montillo e Thiago Ribeiro que também possuem experiência.
O Internacional aparece com Sorondo, Kléber, Bolatti, Guiñazu, Tinga, Rafael Sóbis e Cavenaghi que já disputaram muitas Libertadores e “seguram a onda” de jovens como o promissor Leandro Damião.
O Grêmio conta com menos atletas experientes em Libertadores, o que faz o time sofrer um pouco na fase de grupo. Os que mais jogaram a competição foram Gabriel e Borges, porém a tradição da camisa entra em campo e, mesmo com time mais fraco em relação a Cruzeiro e Internacional, o Tricolor Gaúcho surpreende, pois sabe jogar a Libertadores.
Com relação a Corinthians, Fluminense e Santos não podemos dizer o mesmo, apesar de o Peixe contabilizar 11 participações na Libertadores e o Timão oito, ambas as equipes não têm jogadores que saibam atuar na competição internacional.
Apesar de renomados, Ronaldo só jogou a Libertadores em 1994 pelo Cruzeiro, e Roberto Carlos apenas duas vezes, em 1994 e 1995 pelo Palmeiras. Foram para a Europa muito cedo e, pelas declarações recentes, parece que “desaprenderam” a jogar o torneio.
R9 e RC3 são tão inocentes quanto à Libertadores que, ao final do Brasileirão ano passado, declararam à imprensa que o Tolima não seria problema e que o Corinthians estaria na fase de grupos. Prepotência, salto alto ou desconhecimento do que é o futebol sul-americano?
O Santos tem Neymar e Paulo Henrique Ganso. Mas é a primeira Libertadores que os dois jogam e os mais velhos, como Elano, Edu Dracena e Jonathan, deveriam ajudá-los na forma de disputa que é totalmente diferente dos campeonatos do Brasil.
Os clubes devem aprender a jogar torneios sul-americanos para depois almejar alguma coisa.
O mesmo vale para o Fluminense. A pífia campanha pode ser resumida pela falta de traquejo em jogos de Libertadores. Em toda a história, o clube das Laranjeiras participou de quatro edições e ainda não aprendeu como atuar contra adversários de outros países.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Público no Campeonato Mineiro 2011
Sei que a sexta rodada está prestes a começar, mas farei uma breve análise de números sobre o público deste Campeonato Mineiro 2011. Até o momento, o público total no Estadual foi de 108.352 pagantes em 32 jogos e a média é de 3.386 pessoas por partida.
Número baixo? Não se compararmos com 2010, quando tínhamos o Mineirão à disposição de Atlético e Cruzeiro. No ano passado a média de torcedores por jogo foi de 5.876 torcedores por jogo.
O que chama mais atenção é o América-TO. O time do Vale do Mucuri jogou duas vezes em casa e esgotou a capacidade do estádio Nassri Mattar (5 mil pessoas) em ambas oportunidades, contra Caldense e Cruzeiro. Por isso, o clube tem a terceira melhor média de público do campeonato, ficando atrás apenas de Atlético e Cruzeiro.
O único time que também vendeu todos os ingressos para sua partida neste campeonato foi o Guarani de Divinópolis (4.050 entradas) contra o Atlético.
Já o América, atual líder da competição, tem apenas a oitava melhor média de público do Mineiro (2.522 pessoas por jogo). Uma decepção. A média do Coelho poderia ser a pior do torneio caso não fizesse a primeira partida no estádio do Melão, em Varginha, onde fez a pré-temporada.
Fica uma dica para a diretoria americana. Por que não aproveitar o público de Varginha - assim como vai ser no clássico contra o Cruzeiro - e mandar o restante dos jogos no estádio do Melão? Pelos números, os torcedores do Sul de Minas têm mais condições de apoiar o Coelho do que os da capital, que têm que se deslocar 80 km para assistir aos jogos em Sete Lagoas.
No jogo contra o Uberaba, o América levou 6.286 pessoas ao campo, enquanto nas duas partidas na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, apenas 701 pessoas acompanharam o primeiro jogo e 580 viram o segundo. Muito pouco para o líder da competição.
O Cruzeiro é o segundo na média de pessoas que assistem aos jogos em casa. Apenas 5.202 torcedores por jogo. Mas isso tem explicação pelo fato do time celeste disputar a Libertadores e o ingresso nesta competição ser muito mais caro, o que faz a maioria dos torcedores optar por ver os jogos da competição internacional.
Média de público por clube no Mineiro 2011 (até a 5ª rodada, incluindo o jogo antecipado da 10ª rodada entre Tupi e Cruzeiro):
1º Atlético: 12.153
2º Cruzeiro: 5.202
3º América-TO: 5.000
4º Villa Nova: 2.844
5º Guarani: 2.814
6º Democrata-GV: 2.717
7º Ipatinga: 2.698
8º América: 2.522
9º Tupi: 2.142
10º Funorte: 2.079*
11º Uberaba: 1.756
12º Caldense: 1.077
* Funorte 1 x 1 Caldense (5ª rodada): jogo com portões fechados porque o time da casa não apresentou o laudo de vistoria e certidão de conformidade do Crea-MG.
Número baixo? Não se compararmos com 2010, quando tínhamos o Mineirão à disposição de Atlético e Cruzeiro. No ano passado a média de torcedores por jogo foi de 5.876 torcedores por jogo.
O que chama mais atenção é o América-TO. O time do Vale do Mucuri jogou duas vezes em casa e esgotou a capacidade do estádio Nassri Mattar (5 mil pessoas) em ambas oportunidades, contra Caldense e Cruzeiro. Por isso, o clube tem a terceira melhor média de público do campeonato, ficando atrás apenas de Atlético e Cruzeiro.
O único time que também vendeu todos os ingressos para sua partida neste campeonato foi o Guarani de Divinópolis (4.050 entradas) contra o Atlético.
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| América-TO foi o único time que acabou com todos os ingressos nas duas partidas que fez em casa. (foto: divulgação) |
Já o América, atual líder da competição, tem apenas a oitava melhor média de público do Mineiro (2.522 pessoas por jogo). Uma decepção. A média do Coelho poderia ser a pior do torneio caso não fizesse a primeira partida no estádio do Melão, em Varginha, onde fez a pré-temporada.
Fica uma dica para a diretoria americana. Por que não aproveitar o público de Varginha - assim como vai ser no clássico contra o Cruzeiro - e mandar o restante dos jogos no estádio do Melão? Pelos números, os torcedores do Sul de Minas têm mais condições de apoiar o Coelho do que os da capital, que têm que se deslocar 80 km para assistir aos jogos em Sete Lagoas.
No jogo contra o Uberaba, o América levou 6.286 pessoas ao campo, enquanto nas duas partidas na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, apenas 701 pessoas acompanharam o primeiro jogo e 580 viram o segundo. Muito pouco para o líder da competição.
O Cruzeiro é o segundo na média de pessoas que assistem aos jogos em casa. Apenas 5.202 torcedores por jogo. Mas isso tem explicação pelo fato do time celeste disputar a Libertadores e o ingresso nesta competição ser muito mais caro, o que faz a maioria dos torcedores optar por ver os jogos da competição internacional.
Média de público por clube no Mineiro 2011 (até a 5ª rodada, incluindo o jogo antecipado da 10ª rodada entre Tupi e Cruzeiro):
1º Atlético: 12.153
2º Cruzeiro: 5.202
3º América-TO: 5.000
4º Villa Nova: 2.844
5º Guarani: 2.814
6º Democrata-GV: 2.717
7º Ipatinga: 2.698
8º América: 2.522
9º Tupi: 2.142
10º Funorte: 2.079*
11º Uberaba: 1.756
12º Caldense: 1.077
* Funorte 1 x 1 Caldense (5ª rodada): jogo com portões fechados porque o time da casa não apresentou o laudo de vistoria e certidão de conformidade do Crea-MG.
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