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sábado, 2 de abril de 2011

Tsunami atleticano

Não quero me passar por Mãe Dináh, mas a confusão instalada nas últimas semanas no Atlético já era prevista. Em 28 de fevereiro, um dia após o time sofrer a primeira derrota na temporada, 2 a 1 para o América, questionei no meu Twitter o por quê Dorival Júnior tomava certas decisões.

Jogadores demorando para entrar em forma; outros que não tinham condições de entrar jogando, mas entravam; e alegações de que atletas ainda estavam em recuperação física e por isso não podiam atuar, não eram desculpas plausíveis para se dar. O time teve muito tempo para se preparar fisicamente e, definitivamente, esta não poderia ser a melhor explicação para a não escalação de alguns jogadores.

Estava na cara que as atitudes de Dorival incomodariam alguns jogadores. Respeito o técnico e acho que é um grande profissional. Mas na minha humilde opinião, as atitudes de Dorival é que foram responsáveis pela crise instalada.



O técnico montou o time no início do ano e não contava com as saídas de Obina e Diego Souza. Mesmo assim montou o time e venceu as cinco primeiras partidas do ano. Veio a venda de Diego Tardelli e com ela o treinador também não contava. Ficou desorientado. Isso não foi culpa dele. Reconheço.

Mas colocar o Mancini durante os jogos para ganhar ritmo de jogo e preterir o Diego Souza não entrava na minha cabeça. Como é que o jogador vai conseguir entrar em forma se não atuar nem que sejam 30 minutos? Como explicar para os outros jogadores a insistência e tanta paciência com Renan Oliveira e Ricardo Bueno, enquanto não se tem o mesmo tratamento com Magno Alves, Jobson, Diego Souza e Daniel Carvalho?

Magno Alves foi sacado do time porque não obedecia às instruções do treinador. Mas “O Magnata” estava jogando bem e até fazendo gols, o que Ricardo Bueno não fazia e ainda atuava mal. Daniel Carvalho vive brigando com a balança, mas não tem oportunidade. Que Dorival coloque o meia-atacante para mostrar que ele não tem condições físicas ainda de jogar.



Hoje, Dorival tem pouco mais de 69% de aproveitamento dirigindo o Atlético. Este ano, venceu o clássico contra o Cruzeiro e em 11 jogos, ganhou sete, empatou dois e perdeu dois. São números bons. Porém um treinador não vive de resultados, como muitos dizem. Eles “sobrevivem” de atitudes. É o trabalho do dia a dia no relacionamento com imprensa e jogadores que é avaliado. E no trato com jogadores Dorival não se deu bem.

Após as saídas de Obina, Tardelli, Diego Souza, Jobson, Ricardinho e Zé Luís, e as chegadas de apenas dois reforços, os Guilhermes (o lateral-esquerdo e o atacante) o que irá fazer Dorival para remontar o elenco atleticano para o Campeonato Brasileiro? Contratações virão, mas serão de qualidade para suprir as saídas?

As inscrições para o Mineiro estão encerradas e eu não creio que o time esteja preparado para seguir longe na Copa do Brasil depois dos últimos acontecimentos. Será que Ricardinho e Zé Luís eram as “maçãs podres” e que agora tudo irá melhorar? Não acredito. Daniel Carvalho que fique esperto, pois poderá ser o próximo.



Penso que Dorival não soube lidar com as “estrelas” do elenco. Digo estrelas entre aspas porque muitos ali se consideram como tal, mas na verdade não são. Já foram ótimos atletas no passado, mas agora não são mais.

Aliás, este é um problema grave no Atlético: contratar jogadores que atuaram bem no passado, mas que no presente ostentam somente o nome e que, na verdade, passam por fase de recuperação técnica e física. Se quiser almejar títulos, o clube deve repensar os métodos de contratação e deixar de ser Casa de Recuperação.

domingo, 27 de março de 2011

Esqueceram de Mim 2

Assim como Fábio, Henrique também foi "esquecido"
por Mano no jogo contra a Escócia (Foto: Vipcomm)

Sucesso do cinema, o filme lançado em 1992 retrata muito bem a situação de dois cruzeirenses na Seleção Brasileira do técnico Mano Menezes. Podemos dizer que o primeiro jogador celeste a estrelar o filme foi o goleiro Fábio, esquecido diversas vezes das listas de convocações.

Agora foi a vez de Henrique protagonizar a continuação do longa cruzeirense. Chamado para o amistoso contra a Escócia, o volante não saiu do banco de reservas na vitória brasileira por 2 a 0, neste domingo, em Londres.

Sinceramente, não entendi a postura do Mano. O treinador efetuou cinco substituições na partida, sendo quatro jogadores que atuam no meio-campo. Se Henrique foi convocado pela primeira vez, não seria justo que ele entrasse para ser observado? Ou o Mano se contentou em observar o volante apenas na partida do Cruzeiro contra o Tolima, pela Libertadores?

No meio entraram Sandro, Elias, Lucas (São Paulo) e Renato Augusto. O jovem meia do São Paulo foi chamado pela primeira vez para a Seleção principal e foi colocado em campo. Os outros três já tiveram outras oportunidades. Por que não Henrique? Elias foi comandado por Mano no Corinthians. Já o conhece o suficiente.

Se os amistosos servem para fazer testes e observações, Mano só os fazem com jogadores que lhe convém.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Duelo onde há apenas dois vencedores


A “guerra” em que se transformou a transmissão do Campeonato Brasileiro a partir do ano que vem continua acirrada. Clube dos 13 e a Rede TV! de um lado contra a TV Globo do outro. Esta celeuma criada no cenário do futebol brasileiro às vésperas de uma Copa do Mundo no país poderá transformar o torneio nacional dos próximos anos, com relação à desigualdade nas cotas de TV. O resultado desta luta nos bastidores todos já sabem: apenas Corinthians e Flamengo saem lucrando. E lucrando no sentido literal da palavra.

Muitos veículos e jornalistas, inclusive este blog, já falaram sobre o abismo que podia se criar entre os times do Brasileirão por causa da diferença nas receitas e da nova divisão proposta pela Rede Globo ao negociar separadamente.

Comparando o valor obtido por Atlético e Cruzeiro em 2011 e projetando-se o que ambos poderiam ganhar no próximo ano – com base no contrato firmado entre Globo e Cruzeiro – nota-se que o grupo de times formado por mineiros, gaúchos e dois cariocas vai conseguir menos da metade da grana alcançada pelo primeiro grupo, formado agora por Corinthians e Flamengo.

Se no contrato atual, Atlético e Cruzeiro (Grupo 3) ganham 28,6% menos que o Grupo 1 – conjunto que mais fatura da TV –, a partir de 2012, ambos receberão os mesmos 28,6% a menos, só que em relação ao Grupo 2. Se compararmos com o primeiro grupo, a diferença sobe para 52,4%. Eis o abismo, repito, que muitos diziam, inclusive este blogueiro.

Vasco e Palmeiras, que até este ano embolsavam o mesmo que Corinthians e Flamengo, irão receber 33,3% a menos. A discrepância entre o primeiro escalão e o quarto grupo é ainda maior. O Atlético-PR, que pelo contrato atual recebe 46,5% menos que Corinthians e Flamengo, ganhará 71,5% menos.

Vale lembrar que a conta foi feita baseando-se em números apurados e noticiados na imprensa nacional, já que, por contrato, os clubes não podem divulgar o valor do acordo assinado com a TV Globo.

Segue abaixo a conta que fiz.

Contrato atual (cotas de TV Brasileirão 2009-2011):

Grupo 1: Corinthians, Flamengo, Vasco, Palmeiras e São Paulo – R$ 16,8 milhões

Grupo 2: Santos – R$ 14,4 milhões (14,3% a menos que o Grupo 1)

Grupo 3: Grêmio, Inter, Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense e Botafogo – R$ 12 milhões (16,7% a menos que o Grupo 2 e 28,6% a menos que o Grupo 1)

Grupo 4: Atlético-PR, Bahia, Coritiba, Goiás, Guarani, Portuguesa, Sport e Vitória – R$ 9 milhões (25% a menos que o Grupo 3; 37,5% menos que o Grupo 2 e 46,5% menos que o Grupo 1)

Contrato a partir de 2012 (valores estimados referentes aos acordos assinados diretamente entre os clubes e a TV Globo até o dia 25/03/2011):

Grupo 1: Corinthians e Flamengo – R$ 105 milhões

Grupo 2: Santos, Vasco e Palmeiras – R$ 70 milhões (33,3% a menos que o Grupo 1)

Grupo 3: Grêmio e Cruzeiro – R$ 50 milhões (28,6% a menos que o Grupo 2 e 52,4% menos que o Grupo 1)

Grupo 4: Bahia, Goiás, Coritiba, Sport e Vitória – R$ 30 milhões (40% a menos que o Grupo 3; 57,2% menos que o Grupo 2 e 71,5% menos que o Grupo 1)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Concorrência: sobra entre TVs e pode faltar no futebol brasileiro


O futebol brasileiro poderá tomar um novo rumo a partir de amanhã. A abertura dos envelopes com as propostas de Record e Rede TV! na concorrência aberta pelo Clube dos 13 pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro 2012-2014 e a Globo comercializando por fora pode mudar o atual quadro do esporte no país.

A concorrência entre as TVs é boa e deve ocorrer, mas com a Globo negociando individualmente com 14 dos 20 clubes do C13, conforme informou o jornal Folha de S. Paulo, pode haver um abismo entre os times que faturam mais e os que ganham menos pelos direitos de TV. Ao negociar separadamente, o Bahia não terá a mesma força que o Flamengo. Isso é lógico. Com a negociação em conjunto os clubes ganhariam mais.

Mas não. Cada um pensa no seu e pronto. O resto que se dane. E que se lasque também o futebol brasileiro? Não pode ser assim. Na Espanha, Barcelona e Real Madrid negociam com a TV em separado. Primeiro resultado: 1200% é a diferença entre o que recebe os dois gigantes e o clube que ganha menos para ter os jogos transmitidos pela TV. Segundo resultado: o Campeonato Espanhol vive há anos em uma disputa chata e desinteressante pelo título apenas entre Barça e Real.

Não estou dizendo que o valor das cotas de TV deva ser igual para todos, mas que a diferença entre o recebido por cada clube seja a menor possível, mesmo porque alguns times têm mais exposição na mídia do que outros. Mas muito mais do que isso, é estimular a concorrência por títulos.

Há tempos que nos orgulhamos e enchemos o peito para falar que o Brasileirão é o campeonato mais disputado do mundo. Mas será que a partir do ano que vem continuará sendo? Com Flamengo e Corinthians levando uma fortuna da TV e os outros bem menos?

Na última negociação com a TV, a diferença na receita entre os clubes que receberam mais (Corinthians, Flamengo, Vasco, Palmeiras e São Paulo) e os que ganharam menos foi de 86,6%. De acordo com o edital de licitação do C13 para os próximos três anos, essa diferença será de 75%. Valor muito próximo da Premier League – considerada a mais forte do mundo – que é de 66%.

Não podemos negar que hoje as cotas de TV são responsáveis pelas maiores receitas dos clubes brasileiros, superando até as cotas de patrocínio em alguns clubes. Claro que apenas o dinheiro da TV não faz dirigentes montarem bons times, mas ajuda e muito. Senão não haveria clubes adiantando verba da televisão como tem acontecido nos últimos tempos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Erro técnico?

O futebol brasileiro tem muito erro de arbitragem, isso ninguém nega. Porém, a maioria das falhas, para não dizer todas elas, é de interpretação das regras. Para quem não sabe, há dois tipos de infrações às leis do futebol.

O primeiro é o erro de interpretação, quando o árbitro interpreta o lance ocorrido. As 17 regras do esporte bretão dão ao árbitro o direito de interpretar se foi falta ou não, se foi pênalti ou não. Este tipo de infração não é motivo para se anular uma partida.

O segundo tipo de infração é o erro técnico, que é a falha que viola a regra do jogo. Um bom exemplo é do jogo pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, entre Bahrein e Uzbequistão. Foi marcado um pênalti para o Uzbequistão. Na cobrança, um jogador do time uzbeque invadiu a área. A bola entrou, mas o árbitro marcou tiro livre indireto para o Bahrein, ao invés de mandar repetir a cobrança. A decisão do comandante da partida é soberana, mas está sujeita a sansões. Por isso, a partida foi cancelada e remarcada pelo Comitê Organizador da Copa da Alemanha.

Dito isto, uma imagem que passou em vários telejornais do Brasil me chamou a atenção. Em um jogo entre Havant & Waterlooville e Dorchester Town, pela 5ª divisão do campeonato inglês, um torcedor invadiu o campo. Após “driblar” os seguranças, ele foi contido pelo jogador-treinador do Dorchester, Ashley Vickers que o agarrou pelo pescoço, derrubando-o no chão. Até aí tudo bem.

Mas agora vem o estranho. O árbitro não pensou duas vezes e aplicou o cartão vermelho em Vickers para a revolta do restante do time. Aí eu me perguntei: isso não seria um erro técnico do árbitro? Ou seja, a partida não deveria ser cancelada e remarcada?

A atitude de Vickers foi tomada quando a partida estava paralisada por conta de um ato extra-campo. Penso que o árbitro inventou uma regra de “não agressão a torcedor por parte de jogadores” para expulsá-lo. É de se pensar... no mínimo uma discussão sobre o assunto vale.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Interesses por trás de títulos

Foto: Futebol para Meninas/Lance!
por Fábio Rocha

“Pra mim não muda nada, pois sempre me considerei Campeão Brasileiro”. A frase foi dita por dois mágicos da bola: Tostão e Zico. Além de terem sido grandes jogadores e ídolos nos times em que jogaram, ambos sabem agir e se expressar.

No final do ano passado, o ex-craque cruzeirense não estava nem aí para o reconhecimento da CBF para o título da Taça Brasil de 1966 e, inclusive, não compareceu à festa concedida pelo Cruzeiro aos jogadores da época.

Agora, com o “decreto de lei” do título Brasileiro de 1987 para Flamengo e Sport, o Galinho acompanhou o pensamento racional de Tostão e afirmou que a “canetada” de Ricardo Teixeira não mudará em nada sua vida. Zico e Tostão estão certos. Quem foi campeão sabe da importância do título independentemente do reconhecimento de alguém.

A consideração dos títulos antigos reflete a total falta de credibilidade do mandatário-mor da CBF. Há anos, RT (atenção tuiteiros: significa Ricardo Teixeira) negou reconhecer como Campeonato Brasileiro os títulos do torneio Roberto Gomes Pedrosa e da Taça Brasil, assim como o Flamengo ser, ao lado do Sport, o Campeão Brasileiro de 1987.

De um dia para o outro resolveu acatar os títulos de 1959 a 1970 como Brasileirão para abafar escândalos envolvendo seu nome na Fifa, mas insistia em negar o reconhecimento do Fla campeão da Taça (des)União de 87. Porém, novos interesses fizeram RT voltar atrás e dar o título ao Mengão. O interesse maior é rachar o Clube dos 13, que inclusive já tentou, sem sucesso, criar uma Liga de Futebol independente da entidade de Teixeira.

Esse é o sujeito que comanda a (des)organização da próxima Copa do Mundo. Se a CBF também fosse responsável pelo Mundial de 2014, correríamos o risco de a seleção campeã só ser reconhecida daqui a trinta anos... mas, claro, se fosse de interesse dela.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Semelhança entre artilheiros

por Fábio Rocha

Guilherme de Cássio Alves e Valdir de Moraes Filho, mais conhecido como Valdir "Bigode". Dois jogadores que marcaram época em um mesmo clube. Mas que história liga estes dois artilheiros que estão rumo a um novo caminho na carreira?

Ambos foram ídolos no Atlético, além de terem jogado por Vasco, São Paulo e Botafogo. Os dois tiveram como companheiro de ataque o "garçom" Marques que, para muitos, fez a fama deles no Galo. Um sucedeu o outro no Atlético. Valdir saiu em 1998 e, no segundo semestre de 1999, Guilherme chegou para suprir a lacuna no ataque alvinegro. Em 2003, eles foram ganhar dinheiro no Oriente Médio. Guilherme jogou no Al-Ittihad, da Arábia Saudita, e Valdir decidiu ir para o Al-Nasr, dos Emirados Árabes.

Já o ano de 2007 foi decisivo. Ambos encerraram a carreira de jogador profissional por causa de seguidas lesões. Logo em seguida, Guilherme foi convidado pelo Marília para ser auxiliar-técnico e Valdir decidiu estudar para ser treinador.


Juntos, Guilherme (esq.) e Valdir (dir.) marcaram 196 gols pelo Atlético

E vocês devem estar se perguntando: mas Guilherme e Valdir não chegaram a jogar juntos? Sim e pelo Atlético. Eles se encontraram nos anos 2000 e 2001, quando atuaram ao lado de Marques. Porém o trio não deu certo. Na sua segunda passagem, Valdir não conseguiu repetir a boa forma, marcando apenas um gol.

Agora os artilheiros decidiram seguir o mesmo caminho: ser técnico. Após realizar estágios com Adílson Batista e Vanderlei Luxemburgo, Guilherme iniciou este ano a nova carreira e foi anunciado como novo treinador do Ipatinga para a disputa do Campeonato Mineiro e da Série C do Brasileiro.

Valdir começou como técnico em 2010, no Campo Grande (RJ), e este ano foi contratado pela Associação Desportiva Itaboraí, que irá disputar a 3ª divisão do Campeonato Carioca. Ex-atacantes não têm fama de serem bons treinadores no Brasil. Porém, toda regra tem sua exceção: Renato Gaúcho. Vamos ver se a carreira vitoriosa como goleadores se repetirá ali no banco de reservas, mais precisamente na área técnica.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Lá não é como cá

por Fábio Rocha

No próximo dia 22, o técnico campeão de tudo com o Barcelona na temporada 2008/2009, Josep Guardiola, irá renovar seu contrato, que terminaria em junho deste ano, por apenas mais uma temporada. Uma notícia interessante para nós brasileiros que assistimos a todo o momento treinadores "meia-boca" terem seus vínculos prolongados com clubes grandes por dois ou três anos. Mostra a visão de futuro dos espanhóis. Se a equipe começar a cair de rendimento, a rescisão com o treinador não irá custar tão caro para o clube. Vale lembrar que no meio de 2010, o Barcelona havia renovado com Guardiola pelo mesmo período.

O interessante é que três dias antes de acertar verbalmente a renovação com o time catalão, Guardiola recebeu uma proposta astronômica da Federação de Futebol do Qatar: 20 milhões de euros por ano, cerca de 45,5 milhões de reais, para dirigir a Seleção do país visando a Copa do Mundo de 2022. Só para se ter uma ideia da grana, o valor é, aproximadamente, quanto Messi e Cristiano Ronaldo ganham juntos por ano.


Guardiola optou por ficar no Barça e nem quis comentar proposta
milionária da Seleção do Qatar (Foto: Alessandra Tarantino/AP)

Pep Guardiola não quis trocar o certo pelo duvidoso – ou melhor, pelo o que iria dar errado mesmo – e nem quis comentar a sondagem dos xeques do Qatar. Fez certo, pois lá a sua carreira iria desaparecer dos holofotes da Europa e clubes como Manchester United e Chelsea – que ainda se interessam por ele – poderiam se esquecer da existência do técnico.

Atitude muito diferente dos técnicos brasileiros que aceitam “sumir do mapa” indo treinar equipes do Oriente Médio e países afins por um valor bem mais modesto que o oferecido a Guardiola. Os brasileiros alegam a independência financeira. Mas isso não é tudo.

Pra mim, técnico bom de serviço – o que não é enganador – assim também como o jogador, tem que pensar na carreira. Fazendo um bom trabalho em grandes equipes, o sucesso é maior e o dinheiro também, alcançando novos contratos e mais visibilidade. Ou será que um treinador hexacampeão nacional pelo Al Alhi, pentacampeão pelo Al Gharafa e bicampeão pelo Bunyodkor é visto com bons olhos pelo grande mercado do futebol na hora de contratá-los?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Profissionais ensinam Estudantes


por Fábio Rocha

Um passeio. Uma aula dentro das quatro linhas. Na goleada por 5 a 0, pela abertura da fase de grupos da Copa Libertadores, os jogadores do Cruzeiro relegaram os argentinos à categoria de estudantes no futebol. O time celeste atuou com objetividade e a maior posse de bola do Estudiantes não refletia em nada.

Claro que a derrota no clássico contra o Atlético foi fundamental para as mudanças promovidas por Cuca, que armou o time com três significativas alterações: Gilberto na lateral-esquerda, Roger no meio e Wallyson no ataque no lugar do então insubstituível Thiago Ribeiro.

Deu certo. O time ficou leve e muito mais rápido nas armações das jogadas. Se a proposta dos “Estudantes” era segurar o jogo no início, não funcionou. O gol de Wallyson logo aos 50 segundos desmontou a estratégia argentina e o jogo fluiu mais fácil.

Lógico que o Cruzeiro irá se classificar no grupo 7. A equipe é a melhor da chave, porém os torcedores não podem se iludir com o resultado atípico. Nem sempre as jogadas vão se encaixar como no jogo de ontem. Mas, pelo menos, o Cruzeiro tirou o peso do algoz da final da Libertadores de 2009 da melhor forma possível: ensinando aos estudantes como jogar futebol.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Memória curta

por Fábio Rocha

Exatamente no dia de hoje faz quatro anos da partida entre Villa Nova e Cruzeiro no estádio Castor Cifuentes, pelo Campeonato Mineiro de 2007 em que o Leão vencia por 2 a 1 até os 49 minutos do segundo tempo quando a Raposa empatou com Nenê. Creio que boa parte dos leitores não se lembra disso, mas tem guardado na memória a pancadaria geral entre torcedores dos dois times e a Polícia Militar. Um despreparo total da PM que abusou da autoridade e machucou muita gente.


PMs invadiram as arquibancadas para contornar o tumulto
dos torcedores (foto: Carlos Roberto - Jornal Hoje em Dia)

Em 2009, a violência se repetiu nos arredores do estádio no encontro das duas equipes pelo Estadual. Desta vez, duas facções da Máfia Azul se enfrentaram nas ruas com pedaços de madeira e pedras obrigando os comerciantes a fecharem as portas dos estabelecimentos.

No primeiro episódio, o Alçapão do Bonfim foi interditado por falta de segurança e lembro-me muito bem que a toda a imprensa criticou bastante as condições do estádio (tanto para a torcida quanto para os profissionais que trabalham nos jogos). Ficaram de dois a três dias falando dos acontecimentos (só não se falou a semana inteira porque tinha clássico Atlético x Cruzeiro no final de semana seguinte).

No meio de tantos assuntos, recordo também que foi levantada a possibilidade de demolição do atual estádio do Villa para a construção de outro mais moderno. Vários jornalistas deram apoio total e condenaram o velho Alçapão, dizendo que o acesso ao estádio era precário, não oferecia estacionamento, que Nova Lima já merecia uma Arena à altura do time da cidade e o local não favorecia o trabalho da imprensa porque era tudo muito apertado etc, etc, etc.

O terreno para a construção do novo estádio já estava definido e seria no bairro Cabeceiras, à esquerda de quem chega a Nova Lima pelo primeiro trevo de acesso. Com 80 mil metros quadrados, o terreno foi doado pela mineradora AngloGold Ashanti. A prefeitura da cidade seria a responsável pela construção da nova Arena que foi orçada em R$ 15 milhões: R$ 10 milhões viriam do Governo Federal e R$ 5 milhões do município. Olhando o projeto creio que o valor não seria suficiente, mas os números divulgados foram estes.


Novo estádio teria capacidade para 20 mil pessoas assentadas

Os anos se passaram e a construção do estádio ficou apenas na promessa. Em entrevista ao site do Villa Nova, em junho de 2007, o então presidente do clube João Bosco Pessoa cravou: “o processo de licitação deve sair provavelmente em agosto, a partir desse período vem as chuvas podendo atrasar as obras um pouco. Mas acredito que em meados de setembro e outubro estreiamos em nosso estádio disputando a série B do Brasileiro que é nosso objetivo”.

Um pouco antes, em abril de 2007, Carlos Roberto Rodrigues, prefeito de Nova Lima e que ainda está no cargo, previa o término da construção para comemorar o centenário do Leão, em 2008. “Estamos prevendo a finalização das obras no meio do ano que vem. Ano em que o Villa Nova completa 100 anos. Será um belo presente para a torcida villanovense”, prometeu o prefeito.

Com design moderno, o estádio contaria com restaurantes e estacionamentos

Este ano a história mudou. No final de janeiro a prefeitura da cidade e a diretoria do Villa projetam algo menos ousado: uma reforma e ampliação do Castor Cifuentes. Entre as mudanças, a principal será a elevação do gramado em cinco metros e a ampliação de seu dimensionamento (104m x 66m). Também está prevista a construção de um novo lance de arquibancadas próximo às cabines de imprensa.

Segundo a assessoria do Villa, o município será responsável pelas obras e o prefeito Carlos Rodrigues elogiou o projeto. (É... assim como também havia elogiado o projeto do novo estádio). E segundo o diretor de futebol, Nélio Aurélio, a obra deve custar em torno de R$ 10 milhões, em uma avaliação inicial.

Pois bem. Mais um jogo se aproxima e no mesmo estádio, envolvendo Villa Nova e Cruzeiro. A diretoria do Villa e as PMs de Belo Horizonte e Nova Lima aumentaram o esquema de segurança e o efetivo de policiais.

No entanto, não ouvi ninguém da imprensa reclamando das condições do estádio e cobrando a nova Arena do Leão, prometida desde 2007, quando aconteceu a confusão entre PM e torcidas. Resta-nos aguardar essa reforma do velho Alçapão. Para quando? Não sei. Talvez seja o mesmo prazo para a conclusão do novo (?) estádio.

Esse é o Brasil... país de memória curta.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Só mesmo o Brasileiro

por Fábio Rocha

Quando se fala em futebol arte, logo pensamos no Brasil. O pioneiro deste estilo de jogo no país foi Garrincha. Os dribles desconcertantes do craque do Botafogo e da Seleção Brasileira bicampeã mundial eram e ainda são até hoje um espetáculo à parte de se ver na TV. No futebol atual, claro que "o anjo de pernas tortas” não conseguiria parar em pé. Seria uma pancada só. Imaginem o Garrincha tentando passar pelo Felipe Melo? Bom, nem vamos imaginar, senão teremos que sair do esporte para as páginas policiais.

O futebol atual mudou muito. Agora, além da habilidade de cada atleta, conta também a preparação física e a obediência tática. Muitos treinadores abdicam da técnica do jogador e buscam por indivíduos fortes e rápidos (um erro enorme). Mas ainda sim há jogadores que se destacam pela grande técnica que possuem. Separei dois vídeos de dois craques brasileiros no futebol. Um atua no futebol de campo e o outro já tentou jogar na grama por duas vezes e não foi feliz, mas joga muito no futsal. Trata-se de Ronaldinho Gaúcho e Falcão.

Ronaldinho não vem atuando bem há algum tempo (desde quando saiu do Barcelona). Porém, não podemos negar que sua técnica é bastante apurada. Falcão é outro que dispensa apresentações. Tem muita habilidade e sabe se virar num pequeno espaço de quadra. Já marcou diversos gols que se transformam em verdadeiras obras de arte quando vistas e revistas na televisão.

Recentemente, Ronaldinho Gaúcho foi flagrado no treino do Flamengo tentando marcar um “gol ao contrário”. O jogador queria fazer um gol chutando por trás da trave... e conseguiu. Parece fácil, mas não é.





Falcão viu e repetiu o feito também durante um treino no Santos. Não satisfeito, o eterno camisa 12 da Seleção de Futsal refez o lance só que de letra!! Isso mesmo. Ele aumentou o grau de dificuldade e ainda desafiou R10 para repeti-lo!! É mole?!

São lances que apenas jogadores brasileiros conseguem fazer. A habilidade dos nossos atletas é única no mundo. Pena que alguns não sabem aproveitar o dom que tem e, por má influência ou falta de orientação familiar, atrapalham a carreira com escândalos desnecessários.


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Demorou, mas vendeu


por Fábio Rocha

A 97ª edição do Campeonato Mineiro começa neste final de semana com algumas novidades, dentre elas a volta de apenas quatro times se classificando para a próxima fase. A decisão mais sensata. No entanto, hoje a Federação Mineira de Futebol (FMF) anunciou mais uma novidade para a competição, mas que não afetará o regulamento. Trata-se da venda do nome ‘Campeonato Mineiro’ para o Banco BMG.

Assim como tem a Copa Kia do Brasil, Copa Santander Libertadores, Copa Nissan Sul-Americana, Gauchão Coca-Cola, Barclays Premier League (Campeonato Inglês patrocinado pelo banco Barclays), Serie A TIM (Campeonato Italiano que tem o nome vinculado à empresa de telefonia daquele país) e por aí vai, o Estadual de Minas Gerais se chamará ‘Campeonato Mineiro BMG’.

A FMF fez para esta temporada o que deveria ter feito há muito mais tempo. Antes, a entidade preferia tocar o futebol do Estado apenas com porcentagens das rendas dos jogos, principalmente do dinheiro proveniente do clássico no Mineirão entre Atlético e Cruzeiro que, segundo o próprio presidente Paulo Schettino, rendia em apenas uma partida R$ 150 mil para os cofres da federação. Observação: a FMF tem direito a 10% da renda nos clássicos, 8,5% nas partidas disputadas no interior e 5% em jogos da Sul-Americana e Libertadores.

De acordo com Schettino, o fechamento do principal estádio de Minas provocou uma perda de arrecadação e a FMF viu-se obrigada a angariar fundos de outra forma para honrar os compromissos com os funcionários. Schettino não confirma, por força de contrato, mas o valor pago pelo banco mineiro para ter o nome vinculado ao torneio é de R$ 2,5 milhões. Além disso, o banco estampará sua marca nos uniformes dos funcionários da federação e da arbitragem, nas placas de publicidade e nos ingressos.

Não sei quanto a FMF arrecadava por ano com as porcentagens das rendas dos jogos realizados em Minas Gerais. Não deve ser tudo isso. Mesmo porque, agora, além de receber parte da renda das partidas, a federação terá mais este dinheiro do banco. E com a arbitragem mineira cada vez menos prestigiada pelos clubes da capital, por conta dos erros cometidos num passado recente, não seria hora de investir um pouco deste dinheiro nos árbitros visando melhorar o nível do apito em Minas Gerais? Se não for agora não será nunca.

Na fase final do Mineiro, apitarão apenas árbitros de outros estados. (Foto: FFERJ)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sobram atacantes. Falta qualidade

por Fábio Rocha

O futebol mineiro iniciou 2011 com uma situação curiosa: todas as três equipes da capital correndo atrás de atacantes. O que evidencia a falta de qualidade no setor de América, Atlético e Cruzeiro. A enorme quantidade de jogadores para a posição no Galo e na Raposa é de assustar. Mas se formos reparar, apenas um ou dois têm condições de vestir a camisa de titular. No Coelho há um número menor de atacantes, porém, apenas um tem a confiança da torcida.

Até o momento, o Coelho tem quatro jogadores para o ataque: Fábio Júnior, Thiago Silvy, Euller e Daniel Lovinho (a única contratação para o setor, mas de gosto duvidoso). Dos três times é o que mais precisa reforçar o ataque. Olha que o clube ainda dispensou, a pedido do técnico Mauro Fernandes, os avançados Jandson e Laécio. Pela Série B, o primeiro marcou apenas quatro gols em 18 jogos, enquanto o segundo entrou em campo em 10 partidas e não balançou as redes nenhuma vez. Números horríveis para um atacante.

O atacante Laécio foi dispensado após não marcar nenhum
gol no Brasileirão da Série B. (Foto: site América)

O único que salva no ataque americano é Fábio Júnior, vice-artilheiro da Série B em 2010 com 19 gols. Thiago Silvy segue apenas como opção para o banco de reservas, já que o time precisa de mais um atacante qualificado se quiser fazer muitos gols na Série A de 2011. A dor de cabeça para a ofensiva de Mauro Fernandes é tanta, que o técnico improvisou o armador Luciano no ataque nos amistosos deste ano. E, claro, ele não conseguiu render como no meio, prejudicando o esquema tático.

Euller já não aguenta mais o ritmo do futebol atual. Com 39 anos, o jogador, que tem como característica principal a velocidade, não foi bem em 2010, sofreu com lesões e não rende mais para o clube. Claro que ele tem uma história no América, mas pelo bem da instituição penso que o “Filho do Vento” deveria ter se aposentado ao final do ano passado. Em tempo: Euller renovou seu contrato com o América até julho deste ano, quando pretende encerrar sua carreira em um jogo de reinauguração do Estádio Independência.

O Cruzeiro é outro que sente a falta de um goleador. O time pecou demais nas finalizações durante o Brasileiro e terminou o campeonato como o sétimo melhor ataque com 54 gols. O clube pagou com a perda do título nacional. Ter Thiago Ribeiro como artilheiro do time na temporada não é o suficiente. Ele arma as jogadas. Joga pelos lados. A função principal de Thiago não é marcar gols e nunca foi durante toda sua carreira.

Só para se ter uma ideia da ineficiência do ataque celeste no Brasileiro do ano passado, o Cruzeiro venceu por 1 a 0 em nove oportunidades. Seria jogar pelo resultado ou retrata a falta de qualidade dos atacantes celestes? Fico com a segunda opção. Ou derrotas para Ceará, Atlético-GO e Vitória, além de empates em casa contra Avaí e Prudente são justificáveis? O Cruzeiro sente falta de um camisa 9 desde a saída de Kléber, em junho do ano passado. Outro que deixa saudade na torcida celeste é Marcelo Moreno, vendido em maio de 2008.


Marcelo Moreno marcou 21 gols em 36 jogos
pelo Cruzeiro entre 2007 e 2008 (Foto: Reuters)

Para 2011, Zezé Perrella prometeu um atacante de peso para suprir a falta de gols. Até agora ele não chegou. Desembarcaram na Toca II: André Dias, Reis e Ortigoza. Nenhum deles resolverá o problema. Assim como o Atlético, o Cruzeiro está com excesso de jogadores para o ataque, mas com pouca qualidade. Além dos três contratados, o clube ainda tem mais seis: Thiago Ribeiro, Wellington Paulista, Ernesto Farías, Wallyson, Eliandro e Thiaguinho.

Em sua passagem pelo Palmeiras em 2009, o paraguaio Ortigoza marcou apenas oito gols em 42 partidas, enquanto o Palmeiras lutava pelo título Brasileiro!! André Dias foi bem quando atuou pelo Paraná, em 2005, e pelo Vasco, em 2007, ano que foi vendido para os Emirados Árabes. E foi só. Depois não podemos analisar mais. Jogar no Oriente Médio, ser campeão e artilheiro por lá não serve de referência. Além disso, há seis meses o jogador se recupera de uma lesão no joelho. E o Reis, que se chamava Deivid no Tupi e no América, chega como aposta. Marcou 11 gols pela Ponte Preta no Brasileiro da Série B do ano passado. Mas jogar pela Ponte é uma coisa e pelo Cruzeiro é outra totalmente diferente. Lembremos das “apostas” cruzeirenses nos últimos tempos para o ataque: Wanderley, Rômulo, Kieza e Anderson Lessa.

Saindo das contratações, o Cruzeiro já conta no elenco com o argentino Farías, que não mostra mais futebol desde quando saiu do River Plate, em 2007. No Cruzeiro, ele atuou em apenas dez jogos marcando quatro gols. Wallyson foi uma das “apostas” e acabou sendo pouco aproveitado em 2010. Eliandro pouco acrescentou ao time quando jogou e Thiaguinho é a promessa de 2011. O jogador foi bem na campanha do bicampeonato do Brasileiro sub-20 neste ano, mas ainda precisa ser mais bem trabalhado nos profissionais.

Se Wellington Paulista permanecer no clube, penso que ele continua sendo o melhor para atuar ao lado de Thiago Ribeiro (único titular absoluto no ataque), ou seja, nada de novo na ofensiva cruzeirense para 2011.


Desde a saída de Kléber, o Cruzeiro não encontrou outro centroavante.
Pela Raposa, o Gladiador marcou 38 gols em 59 jogos. (Foto: Vipcomm)

No Atlético a situação do ataque é o melhor dos três, mas ainda sim é preocupante. Mesmo com a péssima campanha no Brasileiro de 2010, o Galo terminou a competição como o oitavo melhor ataque, com 52 gols. Mas com a saída de Obina para o Shandong Luneng, da China, o time perdeu um jogador-referência dentro da área. Afinal, Obina foi o artilheiro da equipe no ano passado com 27 gols em 39 partidas.

O que mais questiono é a qualidade dos atacantes alvinegros. Além disso, o clube conta com um inchaço na posição. São nove jogadores: Diego Tardelli, Jóbson, Neto Berola, Ricardo Bueno, Magno Alves, Pedro Paulo, Wesley, Wescley e Jheimy. Na minha modesta opinião, destes, apenas Tardelli e Jóbson têm qualidade para serem titulares. Mas e na reserva? Penso que Neto Berola e Magno Alves são bons reservas. Nada mais. Tirando o garoto Wescley, que veio da base – e ainda não se sabe qual será o rendimento dele no time profissional – não vejo qualidade nos outros atletas para a disputa de competições como Copa do Brasil, Brasileiro e Sul-Americana.


Após dois anos, Tardelli segue como referência no ataque atleticano.
Em 107 jogos ele marcou 67 gols. (Foto: Bruno Cantini/site Atlético)

Com a saída de Obina, Dorival Júnior aposta todas as suas fichas em Ricardo Bueno. Aquele mesmo que marcou apenas dois gols (contra o Atlético-GO) pelo Brasileiro do ano passado. Mas o técnico especialista em fazer milagres (fez o time do Vasco jogar bola, mesmo que na Série B, e salvou o Atlético do rebaixamento que parecia iminente), pode tentar praticar mais este feito no clube: fazer Ricardo Bueno jogar.

Apesar das contratações de América, Atlético e Cruzeiro, do jeito que as coisas vão, assim como em 2010, este ano os atacantes com poder de decisão no futebol mineiro continuarão sendo Fábio Júnior, Thiago Ribeiro e Diego Tardelli.
 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ano novo, dívida nova

por Fábio Rocha

Essa é a realidade de muitos brasileiros após as festas de final de ano. No mundo do futebol não é diferente: a cada temporada as dívidas dos clubes do Brasil aumentam. Não somos nós do Tabelinha Esporte Clube que estamos dizendo, mas sim os números. Em oposição à melhora na economia do país, as finanças da maioria dos clubes estão no vermelho. E a situação vem de muito tempo.

A contratação de jogadores consagrados que atuam na Europa aumentou nos últimos dois anos e se intensificou no final de 2010. As voltas ao futebol brasileiro (em definitivo ou por empréstimo) de jogadores como Ronaldo, Adriano, Robinho, Vagner Love, Roberto Carlos, Deco, Fred e, agora, Ronaldinho Gaúcho podem significar para um leigo que os times estão mais “endinheirados”, o que não se reflete na realidade.


Em 2010, Fred renovou com o Fluminense por cerca de R$ 460 mil mensais.
Clube pagará R$ 150 mil e o restante ficará por conta do patrocinador

Como o balanço de 2010 dos clubes ainda não foi divulgado (os dirigentes têm até o mês de abril de 2011 para apresentá-lo), trabalharemos com os números de 2009. Detalhe: levando-se em conta que os estádios Mineirão e Maracanã estão fechados para reformas visando a Copa do Mundo de 2014, a receita de bilheteria dos clubes mineiros e cariocas ficará ainda menor nos próximos três anos. Dito isso, seria mesmo um bom negócio para os clubes repatriar jogadores da Europa, inflacionando ainda mais os salários no Brasil? Veja os números e tire suas próprias conclusões.

Números da empresa de consultoria Crowe e Howarts, levantados entre os anos de 2004 e 2009, mostram que, entre os 20 times com maiores receitas no Brasil, apenas quatro fecharam as contas no azul no acumulado durante o período: Atlético-PR (R$ 35,282 milhões), São Paulo (R$ 10,947 milhões), Internacional (R$ 7,713 milhões) e São Caetano (R$ 3,649 milhões).

Os outros só deram prejuízo. Os mais deficitários foram o Vasco (- R$ 344,505 milhões), o atual campeão brasileiro Fluminense (- R$ 238,314 milhões), o Atlético-MG (- R$ 166,227 milhões) e o Palmeiras (- R$ 108,382 milhões).

Apostar apenas em jogador-vitrine não resolve

Apesar dos péssimos números, ações de marketing, participação em competições internacionais e, claro, títulos podem ajudar a turbinar as receitas. Entre 2008 e 2009, apenas Corinthians (R$ 16,697 milhões) e São Paulo (R$ 2,670 milhões) fecharam suas contas com saldo positivo. O Corinthians conseguiu alavancar suas finanças após a contratação de Ronaldo, no final de 2008. Vários patrocínios chegaram a reboque e a marca Corinthians ficou valorizada superando a do Flamengo, antes a mais bem avaliada do país. Já o Tricolor do Morumbi aumentou sua receita com o título Brasileiro de 2008 e participações seguidas na Copa Libertadores (atraindo investidores e valorizando os atletas para negociações futuras).




Podemos afirmar também que a vinda de Ronaldo foi tão pontual para o superávit de quase R$ 17 milhões nas contas do Corinthians que, fazendo um comparativo com 2007, o clube paulista fechou aquele ano com prejuízo de mais de R$ 23 milhões, de acordo com a empresa Casual Auditores. Mas será que sempre vai funcionar assim? Toda vez que um craque desembarcar para jogar no Brasil, o clube que o contratou conseguirá reverter os gastos em vendas de camisas e outras formas de marketing? Não podemos dizer que o sucesso do Fenômeno nas finanças se repetiu no campo. Os sérios problemas com a balança e seguidas contusões atrapalharam o atacante no ano do centenário do Timão. O único título de expressão foi a Copa do Brasil, em 2009, e a tão sonhada Libertadores ficou pelo meio do caminho.

Se o Ronaldo se destacasse nos jogos, o Corinthians não poderia lucrar ainda mais? Acho que muitos disseram que sim. Por isso, trazer craques para jogar aqui pode se tornar arriscado. E se o jogador não render? O torcedor ficará desmotivado, as vendas de camisa cairão, o estádio ficará mais vazio e os patrocinadores se afastarão aos poucos.

Rombo quase dobrou em 4 anos

É preciso muito mais que as ações de marketing em cima de apenas um jogador visando o aumento nas receitas, assim como o Flamengo tentará fazer com Ronaldinho Gaúcho. Por isso mesmo, uma auditoria feita em junho de 2010 pela Casual Auditores em associação com a empresa Parker Randall mostrou que os clubes brasileiros profissionais acumulam R$ 2,4 bilhões em dívidas (57% do débito é com o Governo Federal). Só para se ter uma ideia, o relatório mostra que o valor cresce a cada ano e já é quase o dobro de 2006, quando os times deviam “apenas” R$ 1,3 bilhão.

Para não depender tanto de apenas um atleta, uma das saídas seria o investimento dos clubes em ações de marketing da instituição esportiva, ou seja, valorizar a marca sem atrelá-la a um determinado atleta. Assim, a venda de produtos do clube se manterá independentemente da presença do jogador consagrado. Desenvolver um projeto de sócio-torcedor; negociar melhores cotas de patrocínios; enxugar gastos desnecessários dentro do clube. Não precisa ser um expert em marketing para saber que todas essas medidas ajudam nas finanças ao final do ano.

“Investidores” endividam times mineiros

Diante de tantos números negativos, podemos nos perguntar por que alguns clubes iniciaram 2011 investindo em jogadores com salários astronômicos, chegando a competir com os europeus. Será culpa dos chamados “grupos de investidores”? Certo é que cada vez mais os clubes estão dependentes destas empresas e dos bancos – para pagar os altos salários ou para pagar parte dos direitos econômicos do atleta que será contratado.

Virando o foco para Minas Gerais, podemos ilustrar essa situação de empréstimos envolvendo investidores/clubes citando os casos de Atlético e Cruzeiro. O Galo tinha em 2007 uma dívida por Empréstimos em torno de R$ 94 milhões. No ano seguinte, saltou para quase R$ 106 milhões e, em 2009, o clube fechou com R$ 122,5 milhões em débito. É o clube que mais pegou empréstimos no Brasil, segundo o relatório da Casual Auditores.

Com a Raposa os números são bem menores que os do rival, mas a situação não é diferente. De 2007 para 2009, o clube pulou de R$ 10 milhões para R$ 26 milhões em dívidas por Empréstimos. Neste período, o que os dois clubes conquistaram? Absolutamente nada. A não ser que consideremos o Campeonato Mineiro. Mas pelo valor dos investimentos, os clubes não podem considerar campeonato estadual como título.

Números da empresa Casual Auditores mostram o quanto as dívidas de vários clubes cresceu de 2008 para 2009


Argentinos são exemplo negativo

Certo é que a situação tem que mudar, senão em um futuro bem próximo os times brasileiros ficarão quebrados como os argentinos. É só olharmos para os hermanos e perceber o por que Boca Juniors e River Plate não conseguiram se classificar para a Copa Libertadores da América pelo segundo ano consecutivo. E o atual campeão Brasileiro? O Fluminense. O clube carioca tem por trás uma empresa de plano de saúde que injetou dinheiro para formar um super time com contratações e pagamento de parte dos salários de Muricy Ramalho, Deco, Conca e Fred. Tudo bem, o título veio (R$ 8 milhões em caixa). Mas os dirigentes devem se lembrar que apenas esse dinheiro não conseguirá tapar o rombo financeiro no clube, que lidera o ranking dos maiores devedores do país.

Nem 30% dos grandes clubes fecham no azul

Em 2009, de 15 grandes times do Brasil, apenas Atlético-PR, Corinthians e São Paulo ficaram com os cofres no azul. O resto só no prejuízo, de acordo com a Casual Auditores. Mesmo com a boa campanha no Brasileiro daquele ano, o Atlético terminou devendo R$ 23 milhões e 248 mil. E o Cruzeiro com saldo negativo de R$ 24 milhões e 459 mil. Não foi por acaso. Isso já vem acontecendo há algum tempo. Em 2008, dos 21 clubes analisados, apenas seis tiveram superávit (Corinthians, Barueri, São Paulo, Figueirense, Coritiba e Portuguesa), o que corresponde a 28% dos times. Em 2007, apenas cinco clubes não tiveram déficit (Atlético-PR, Juventude, Santos, São Paulo e Barueri), o que dá 23% dos clubes pesquisados. E como as bilheterias ajudam a aliviar as contas, com o fechamento do Mineirão os números de 2010 para Atlético e Cruzeiro tendem a ser ainda pior.

Europeus pisam no freio

Para piorar a situação dos clubes brasileiros, o presidente da Uefa, o francês Michel Platini publicou na terça-feira (11/01) uma espécie de “Fair Play” financeiro para os times europeus. Trata-se de um plano para impor um limite nos gastos dos clubes em contratações de jogadores. O objetivo é que nas próximas duas temporadas (2011/12 e 2012/13), o déficit não supere 45 milhões de euros. Ao longo dos anos, esse valor cairá aos poucos até chegar a zero, ou seja, nenhum clube do Velho Continente poderá dever sob pena de até ficar de fora de competições como Liga dos Campeões e Liga Europa.

Com isso, times comandados por multimilionários como Manchester City e Chelsea, além do Real Madrid, (que gostam de fazer loucuras em contratações) ficarão impedidos de fazer acordos absurdos para adquirir jogadores, ao menos que arrecadem valores aproximados para equilibrar o saldo financeiro (o que se torna praticamente impossível). Desta forma, os brasileiros também deixarão de vender seus craques por preços incrivelmente altos, como foi a negociação de R$ 70 milhões de Robinho, do Santos para o Real Madrid, em 2005.

No mínimo para se pensar, não é cartolagem brasileira.

Ranking dos devedores (números do 1º semestre de 2010):

1º Fluminense - R$ 319,7 milhões
2º Botafogo - R$ 301 milhões
3º Atlético-MG - R$ 293,4 milhões
4º Vasco - R$ 291 milhões
5º Flamengo - R$ 278 milhões
6º Santos - R$ 153,5 milhões
7º Internacional - R$ 142,9 milhões
8º Corinthians - R$ 128,6 milhões
9º Grêmio - R$ 126 milhões
10º São Paulo - R$ 114,1 milhões
11º Palmeiras - R$ 102,6 milhões
12º Cruzeiro - R$ 92,7 milhões
13º Coritiba - R$ 50,4 milhões
14º Atlético-PR - R$ 20,1 milhões

* Crédito foto Fred (pop.com.br)
** Crédito foto Ronado (Reuters)