sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Defesa que todos passam

Com uma paródia de um trecho do hino do Palmeiras podemos exemplificar o desempenho da zaga do Atlético na temporada. Há também um ditado no futebol que diz que a melhor defesa é o ataque. O que não serve para o elenco atleticano. Neste momento conturbado de várias derrotas, atuações péssimas e uma crise que parece interminável, a comissão técnica do Atlético (inclui-se aí o pessoal de Dorival e de Cuca) ainda não atentou para a quantidade de gols que a defesa tem sofrido ao longo deste ano.

Antes do desejo de transformar da noite para o dia um time sem alma em um elenco vencedor, que bata lá no final do campeonato como o “campeão do returno” – como se isso fosse um título – há que se pensar primeiro em como não levar gol. Jogar como time pequeno mesmo. Diante de várias mudanças no time titular, jogo após jogo, atletas lentos para o setor, como Réver, e laterais que não marcam ou não têm a devida cobertura dos volantes, mostram a deficiência da zaga atleticana. Fiz um pequeno levantamento que mostra a fragilidade do setor.

Jogadores do Palmeiras comemoram gol marcado na partida contra
o Atlético. Cena negativa se repete várias vezes no clube mineiro

Tudo começou no amistoso contra o River Plate, do Uruguai. Nessa partida foi contabilizado o primeiro gol sofrido na temporada. No Campeonato Mineiro, o time levou 20 em 15 partidas. Veio a Copa do Brasil e, além do vexame de ser eliminado pelo Grêmio Prudente ainda na segunda fase, lá se foram mais cinco gols tomados em quatro partidas. Três foram do “poderoso” IAPE, do Maranhão, do famoso Pereirinha.

Chegou o Campeonato Brasileiro e, até a 17ª rodada – na derrota de virada para o Corinthians –, o time já sofreu 33 gols e tornou-se a terceira pior defesa das séries A e B ao lado do ‘vizinho’ América. Pela Copa Sul-Americana, no primeiro confronto diante do algoz Botafogo, as redes do Galo balançaram mais duas vezes.

Totalizando, foram 61 gols sofridos em 38 partidas na temporada – média de 1,60 gol sofrido por jogo. E de todos esses 38 confrontos, em apenas cinco o Atlético saiu de campo sem levar gol. O histórico recente continua condenando os defensores alvinegros, pois nos últimos seis jogos disputados, o time levou gol em todos. Algo para a nova comissão técnica pensar.

Os poucos jogos da temporada em que a defesa atleticana não foi vazada:

- Atlético 0 x 0 Grêmio Prudente (Copa do Brasil)
- Caldense 0 x 2 Atlético (Campeonato Mineiro)
- Atlético 3 x 0 Atlético -PR (Campeonato Brasileiro)
- Atlético 2 x 0 América (Campeonato Brasileiro)
- Atlético 1 x 0 Fluminense (Campeonato Brasileiro)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Fim dos embalos de sábado à noite no Brasileirão

Fanáticos por futebol que também gostam de curtir a "balada" podem comemorar. A Confederação Brasileira de Futebol anunciou hoje a alteração do horário de alguns jogos do Campeonato Brasileiro da Série A. As mudanças passam a valer a partir do dia 20 de agosto, na 18ª rodada. A partir daí, as partidas de sábado acontecerão apenas às 18 horas, o que extermina jogos realizados às 21 horas, no mesmo horário que "rolam" várias baladas. Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves agradecem... opa, quer dizer, a TORCIDA agradece. E os confrontos do fim da tarde e início de noite dos domingos foram antecipados em meia hora e passarão a começar às 18 horas.

As mudanças foram ótimas, mas pode e tem que melhorar. O horário das 18 horas para os jogos de domingo ainda é ruim para o torcedor que vai ao estádio. Neste dia, as partidas deveriam acontecer somente às 16 horas, e às 17 no Horário de Verão. Sem falar nos confrontos das 21h50 em plena quarta-feira!! Pode soar utopia, mas a CBF e, principalmente, a Rede Globo ficam devendo mais estas alterações.

Crédito: GloboEsporte.com

O torcedor deve cobrar, especialmente, nos jogos de quarta-feira à noite. De que forma? Não indo aos estádios ou deixando de adquirir o PFC. Não tenho essa informação, mas provavelmente o motivo das alterações partiu da TV que deve ter visto cair as vendas de pacotes pay-per-view nestes horários esdrúxulos.

Veja abaixo o público pagante de todos os jogos realizados aos sábados, 9 horas da noite. Das 12 partidas, apenas três superaram a marca de 10 mil torcedores e nenhum confronto chegou a registrar 20 mil espectadores.

O ator John Travolta na capa do filme
"Os Embalos de Sábado à Noite", de 1977
21 de maio
Santos 1 x 1 Internacional 
Público: 4.532 pagantes (até o momento, é o segundo pior público do Santos na competição)

28 de maio
São Paulo 1 x 0 Figueirense
Público: 9.931 pagantes (até o momento, é o segundo pior público do São Paulo na competição)

04 de junho
Figueirense 2 x 0 Atlético-GO 
Público: 6.913 pagantes (até o momento, é o segundo pior público do Figueirense na competição)

11 de junho
Vasco 1 x 1 Figueirense 
Público: 14.680 pagantes (até o momento, é o segundo MELHOR público do Vasco na competição. Este foi a exceção).

25 de junho
Cruzeiro 2 x 1 Coritiba
Público: 5.256 pagantes (até o momento, é o pior público do Cruzeiro na competição)

30 de junho
Atlético-MG 0 x 4 Internacional 
Público: 7.595 pagantes (até o momento, é o segundo pior público do Atlético-MG na competição)

30 de junho
Fluminense 3 x 1 Atlético-PR
Público: 3.449 pagantes (até o momento, é o pior público do Fluminense na competição)

09 de julho
Atlético-PR 0 x 0 Avaí
Público: 10.045 pagantes (até o momento, é o pior público do Atlético-PR na competição)

16 de junho
Santos 2 x 1 Atlético-MG
Público: 4.717 pagantes

23 de julho
Flamengo 1 x 1 Ceará
Público: 4.737 pagantes (até o momento, é o segundo pior público do Flamengo na competição)

30 de julho
Palmeiras 3 x 2 Atlético-MG
Público: 9.983 pagantes (até o momento, é o segundo pior público do Palmeiras na competição)

06 de agosto
Atlético-MG 1 x 2 Figueirense
Público: 15.619 pagantes

Confira a relação dos jogos do Campeonato Brasileiro Série A que tiveram o horário alterado (times mineiros em destaque):

20/08 – sábado

18h - Cruzeiro x Ceará
18h - Botafogo x Atlético-MG
18h - Corinthians x Figueirense

21/08 – domingo

18h - Atlético-PR x América
18h - Vasco x Fluminense
18h - Bahia x Santos

27/08 – sábado

18h - Coritiba x Atlético-PR
18h - América x Atlético-GO
18h - Fluminense x Botafogo

28/08 – domingo

16h - Ceará x Bahia
18h - Atlético-MG x Cruzeiro
18h - Figueirense x Avaí

domingo, 7 de agosto de 2011

Atlético e Cruzeiro juntam os cacos e América respira

Terminada a 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, Atlético e Cruzeiro juntam os cacos restantes. Por outro lado, o América salvou os mineiros de ficarem duas rodadas sem vitórias na competição.

Após uma reunião com a diretoria atleticana, Dorival Júnior deixou o comando técnico do time com 15 pontos e um aproveitamento de 33%. Um desempenho parecido com o de Luxemburgo na mesma 15ª rodada do Brasileirão do ano passado, quando o Atlético marcou 13 pontos e estava com 29% de rendimento.

Em números, Dorival fica à frente de Celso Roth, mas será que o torcedor não prefere o time de Roth que lutou pelos primeiros lugares no Nacional de 2009? O mais estranho é que sai treinador, entra treinador e o clube não consegue deslanchar.

Veja duas declarações de Luxemburgo ao ser demitido do Atlético após a derrota para o Fluminense: “O Atlético dá todas as condições de trabalhar, poucos times têm estas condições que o Atlético dá, então eles (jogadores) têm de se unir muito mais”; “Contratamos jogadores, mas a coisa não fluiu. Não tem nenhum ressentimento com o Kalil, com a diretoria do Atlético”.

Agora veja o que Dorival disse, em entrevista ao portal Superesportes: “Um agradecimento especial ao Alexandre Kalil, que foi uma pessoa mais do que correta e buscou com todos os esforços possíveis para que nós pudéssemos ter a condição de um bom trabalho. Infelizmente, acabou acontecendo. Foi uma situação que fugiu àquilo que tínhamos programado. O Atlético merece resultado, porque o trabalho está sendo muito correto lá dentro. Saio com essa frustração por não ter dado retorno à confiança que foi depositada”.

Alguma coincidência? Será que o problema é o técnico ou ainda há mais coisas que não se encaixam dentro do Atlético. Não é possível dois treinadores que saíram por último do clube darem declarações tão parecidas. Quem precisa rever conceitos é a diretoria do Atlético e não o Dorival Júnior ou o Vanderlei Luxemburgo.

Em Porto Alegre, tarde horrorosa do trio de arbitragem na derrota do Cruzeiro para o Internacional por 3 a 2. Anulou um gol claro do Cruzeiro, marcado por Anselmo Ramon. Gol que seria o empate cruzeirense. Depois, o árbitro Wilton Pereira Sampaio ainda não marcou pênalti em Montillo. Joel Santana disse, após o jogo, que “foi uma das maiores garfadas da história do futebol". Menos Joel. O Cruzeiro foi prejudicado, mas já aconteceram maiores “catástrofes” da arbitragem. Você é que trabalhou mais no Rio de Janeiro e não está muito acostumado com as “garfadas”.

Apesar da quarta derrota seguida, Joel permanece no clube e tem a confiança da diretoria, pelo menos até o jogo contra o Avaí, no próximo sábado, em Uberlândia. Para fechar o domingo nebuloso para a Raposa, o atacante Wallyson fraturou o tornozelo esquerdo e só deve voltar no ano que vem. Wallyson que vinha sendo o melhor avançado do time. Aliás, o ataque é o setor mais criticado, ao lado das laterais, e o time celeste tem uma baixa importantíssima para a sequência do campeonato.

Vamos para o lado positivo da 15ª rodada. O América se deu bem, e muito bem por sinal. Depois de incríveis 13 partidas sem vencer, o Coelho goleou o Fluminense, atual campeão Brasileiro, por 3 a 0, na estreia do técnico Givanildo Oliveira. O goleiro Neneca ainda pegou um pênalti cobrado por Rafael Moura. Um passo importante para tentar fugir do rebaixamento para o time que, com o triunfo, subiu o aproveitamento de 19% para 24%. Apesar da vitória, vejo o elenco americano muito fraco para a primeira divisão e acredito que o Coelho não escapará da queda para a Série B no ano do centenário. Infelizmente.

sábado, 16 de julho de 2011

O futebol no dia a dia de Montevidéu

Ouve-se constantemente que a vida imita a arte e vice-versa, mas, muitas vezes, não consideramos que muitas outras situações também são interdependentes. Aprende-se e entende-se melhor isso até mesmo sem querer, como ocorreu na visita que fiz ao museu Al Pie de la Muralla, em Montevidéu, no Uruguai. Questionei uma das funcionárias sobre a existência de comunidades indígenas entre os, aproximadamente, 3,3 milhões de habitantes do país. Ela afirmou que no Uruguai não é possível encontrá-las organizadas e protegidas, o que detona uma sensível diferença na comparação com o Brasil e mesmo com a Argentina.

Os moradores originários foram dizimados durante o processo de colonização espanhol na região ou não resistiram aos extenuantes trabalhos escravos aos quais foram submetidos pelos representantes mediterrâneos. Uma das mais conhecidas etnias uruguaias, os charrúas, é lembrada por seu espírito guerreiro e sua inconformidade com a perda da liberdade, o que levou aos sangrentos combates que resultaram em seu extermínio. No entanto, sua imagem positiva acabou sendo trazida para os dias atuais e associada à seleção nacional de futebol.

Estátuas em homenagem aos charrúas, a mais conhecida
etnia no Uruguai (foto: Fritz Follmer/Panoramio.com)

A conhecida e propagada raça daqueles que também são conhecidos como a Celeste Olímpica não poderia ser relacionada a outro símbolo de forma tão precisa, vinculando dois orgulhos nacionais pela apropriação de um valor tão caro aos habitantes do pequeno país ao norte do Rio da Prata. Afinal, ainda que seja prudente evitar os chavões empregados por inúmeros comentaristas esportivos que resumem o futebol sul-americano, em especial na Argentina e no Uruguai, como apenas garra e catimba, não se pode ignorar a determinação demonstrada por seus jogadores do início ao fim das partidas.

Algumas figuras, presentes nas lembranças do público brasileiro, identificam-se mais ainda com esse perfil, como o zagueiro Diego Lugano, que atuou durante três anos no São Paulo e há cinco temporadas disputa o Campeonato Turco e a Liga dos Campeões da Europa pelo Fenerbahçe. Lugano é um exemplo de como é possível conciliar a qualidade técnica com disposição ilimitada pelas disputas de bola. E na VTV, emissora local de televisão, foi possível acompanhá-lo na quinta-feira, 23 de junho, em amistoso disputado entre sua seleção e a balcânica Estônia.

No confronto, na cidade de Rivera, os charrúas despediram-se de seus torcedores antes da viagem para a participação na Copa América Argentina 2011. Na ocasião, em que assisti à partida junto a, pelo menos, mais quatro uruguaios no Boulevard Sarandí Hostel, os atuais semifinalistas da Copa do Mundo mostraram porque são a seleção com mais entrosamento e melhor disposição e variantes táticas dentre aquelas que entram na competição iniciada em 1º de julho. A atuação do trio de ataque, formado por Diego Forlán, Edinson Cavani e Luis Suárez, com as constantes trocas de posição entre eles, demonstra claramente a possibilidade de se atuar no esquema 4-3-3, sem, necessariamente, ter dois pontas e um centroavantes fixos.

Estádio Centenário de Montevidéu, palco da final
da primeira Copa do Mundo, em 1930

O jogo contra a Estônia terminou 3 a 0 e a vitória uruguaia, no entanto, aconteceu um dia depois à frustração sofrida por uma das duas maiores torcidas da capital e do país. Os carboneros, como são conhecidos os fanáticos pelo Peñarol, empurraram o time, seja no Pacaembu ou nos bares montevidenhos, rumo à sexta conquista da Copa Libertadores da América.

A esperança de reviver uma conquista que não alcançavam desde 1987 manteve-se até o último minuto, mesmo que os torcedores soubessem que o Santos apresentava mais qualidade técnica. A expectativa diminuiu aos dois minutos do segundo tempo com o gol de Neymar e quase se desvaneceu com o tento de Danilo, mas reacendeu e provocou uma comemoração bem sul-americana com o gol contra de Durval, aos 34 minutos.

Os gritos e batidas nas mesas do bar, point quase inescapável das baladas às quintas, sextas e sábados, ressoaram até o fim, impulsionadas pela pressão imposta pelo Peñarol até o término do jogo. A derrota deixou um gosto um pouco amargo no ambiente e a transmissão no Pony foi interrompida após acompanhar a pancadaria ocorrida após o apito final e a premiação carbonera. Nada, portanto, de ver o clube da Vila Belmiro carregar a taça de tri da América.

Na Peatonal Sarandí, no caminho de volta, alguns garotos que, provavelmente, voltavam de ver a partida perguntaram-me se era ‘por Peñarol’, ao que respondi, sinceramente, que sim. Sei lá também se não fosse e dissesse que era ‘por Nacional’, afinal sabe-se muito como é a paixão clubística e a rivalidade em todos os cantos do planeta bola.

"La hinchada" do Peñarol em um dos jogos 
do time  (foto: site peñaroleterno.com)

Na tienda (loja), era possível encontrar os modelos mais atuais dos dois gigantes charrúas e da Celeste Olímpica, mas, como no Brasil, os preços se aproximavam do equivalente a R$ 170,00. Mas as camisas dos demais clubes locais podiam ser encontradas por um valor bem mais convidativo, como, por exemplo, R$ 65,00. E para os loucos por futebol tornavam-se duas vezes mais interessante, pela economia e pela raridade e quase exclusividade dessas peças em qualquer lugar de onde viessem.

Mais interessante seria descobrir um pouco mais acerca da história desse clube, o Rampla Juniors Fútbol Club, campeão nacional uma única vez, em 1927, ainda na época do amadorismo e que, como a quase totalidade das demais equipes da 1ª divisão, é da capital federal. Mas, como na Primera Argentina, as rivalidades entre bairros tornam-se nacionais em função do âmbito de disputa das competições e, no caso dos rubroverdes, ela ocorre com o Cerro, nome também da região da sede de ambos.

E o palco de muitos dos épicos duelos nacionais, o Estádio Centenário, seria um dos pontos de visita nessa permanência de uma semana no Uruguai, mas, juntamente com a ida ao Museu próximo ao palco da final da Copa do Mundo de 1930 ficou para uma próxima oportunidade. Uma heresia, dirão alguns.

Afinal, como ignorar esse ponto zero que, além de todo significado histórico, também atrai os turistas por estar ao lado de uma praça onde é possível assistir a uma das mais belas vistas do pôr-do-sol em Montevidéu? Vai que... voltemos lá para acompanhar algum clássico pela Copa Sul-Americana no segundo semestre, ainda mais agora que o futebol uruguaio volta a se destacar como fez e bem até a década de 1980. Dale, Uruguay! Vamos, charrúas!

Leonardo Diniz é jornalista e convidado do Blog Tabelinha E.C.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Kalil e a falta de explicações

Primeiramente gostaria de agradecer aos meus amigos que me ajudaram nos últimos meses pelo qual passei um momento bastante complicado. Mas estou de volta ao Blog. Neste período aconteceram muitas coisas no “mundo do futebol”: título mineiro do Cruzeiro, tri do Santos na Libertadores, pedido de demissão do Cuca do comando do Cruzeiro, etc.

Mas na minha volta, coincidentemente, retorno a um assunto parecido com o último que abordei: o momento de baixa do Atlético. Ontem, o presidente Alexandre Kalil pediu para falar na Rádio Itatiaia e defender o time das críticas após a derrota para o Flamengo por 4 a 1.

A entrevista não teve nada de mais. Aliás, teve de menos. Cheia de contradições e falta de explicações para a torcida. Dá a impressão de que o Kalil fala do Atlético como se fosse o Barcelona, onde quase nada dá errado.

Questionado sobre a contratação de um atacante, o dirigente alvinegro, sem querer, depreciou os jogadores das categorias de base do clube: “Se for para contratar 'muxiba', eu busco lá nas categorias de base. É melhor apostar em um menino de 17 anos que ninguém conhece”.



Então, podemos dizer que a regra vale também para outros setores do time. O que dizer das contratações de Diego Macedo, Rafael Cruz, Ricardo Bueno, Pedro Benítez, Jairo Campos, Marcelo, Fábio Costa, Carini e Aranha. Não havia jogadores na base melhores do que eles? No gol o clube achou o "muxiba" Renan Ribeiro. E na lateral direita? Garanto que o garoto Roger era melhor que Rafael Cruz e Diego Macedo.

Kalil disse que “contratou o Richarlyson no auge”. Se o volante estivesse no melhor momento da carreira, o São Paulo renovaria seu o contrato.

Um ouvinte perguntou por que o Atlético não ganhou nenhum título de expressão na atual gestão, já que Kalil pediu para a torcida não colocar em suas costas o peso de 40 anos sem conquistas (o que concordo). O presidente, porém, simplesmente respondeu: “Os títulos até agora não vieram porque não vieram”.

Kalil foi questionado por outro ouvinte sobre as vendas de Obina e Tardelli. Ele disse que o clube tem que vender mesmo e que o torcedor atleticano não está acostumado. Porém, Kalil o clube tem que vender, mas, ao mesmo tempo, investir o dinheiro da maneira certa.

Diego Tardelli foi vendido e o clube recebeu 5 milhões de euros. Guilherme foi comprado por 6 milhões de euros. Déficit de 1 milhão de euros, sem falar na perda de qualidade técnica. Não que o Guilherme seja fraco, mas o Tardelli é superior, então não se justifica a venda, a não ser que pesou o lado do atleta (o que não foi citado pelo presidente. Ele apenas falou pelo lado do clube).

Mesmo com erros na gestão, Kalil ainda segue
prestigiado junto à torcida (foto: GloboEsporte.com)

De acordo com o site GloboEsporte.com, o Atlético recebeu pelo Diego Souza cerca de 4,5 milhões de reais (o clube havia investido 7 milhões de reais na contratação) e permaneceu com 17% dos direitos econômicos do jogador. Desde então o clube contratou para a posição Dudu Cearense, que não é um meia técnico, e Caio, que é muito limitado. Este é o retorno que o Atlético recebe com a venda de dois jogadores diferenciados?

Por fim, Kalil afirmou categoricamente que o Atlético está preparado para ganhar títulos: “Não sei se será na minha gestão. Pode ser que seja em outra, mas o Atlético está pronto para ser campeão”. Isso não lembra as declarações de Luxemburgo ano passado? E o torcedor também se lembra no que deu.