quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Especial Técnicos: dificuldade em mantê-los de janeiro a dezembro

A permanência de um treinador desde o início até o final da temporada é um indício de que o trabalho está sendo bem feito ou de que, pelo menos, a diretoria está satisfeita com o comandante do time.

O treinador é o responsável pelo planejamento inicial na montagem da equipe. É ele quem indica as contratações do começo de ano, realiza a pré-temporada, organiza e dá padrão tático à equipe ao longo da temporada.

Por isso a importância de mantê-lo o maior tempo possível no cargo para não atrapalhar o processo evolutivo da equipe, principalmente se o grupo de jogadores estiver em formação ou reformulação.

Mas se o treinador faz substituições erradas, escala mal, não se relaciona bem com alguns atletas e perde o comando da equipe, é claro que ele deve ser mandado embora. No entanto, as demissões estão virando rotina no país. Qualquer resultado adverso é motivo de críticas e pedidos pela saída do comandante. Será este o caminho certo?

De todos os 16 grandes clubes pesquisados pelo blog Tabelinha E.C, nos últimos dez anos, apenas Atlético-MG e Atlético-PR não mantiveram o mesmo técnico de janeiro a dezembro. Coincidência ou não, a dupla também é a que mais rodadas figurou na zona de rebaixamento desde 2003, quando começou a era dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro. Ambos já permaneceram 91 rodadas no Z-4. Fica aí o alerta para a mudança de conceito. Ou então, quem será o próximo a ouvir: "Você está demitido"?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Especial Técnicos: coisas que só acontecem com o Botafogo


O ditado não é por acaso. Nos últimos anos, o time da Estrela Solitária protagonizou duas situações curiosas envolvendo treinadores. A primeira ocorreu em 2002, quando Abel Braga pediu demissão alegando que a saída de jogadores importantes e a falta de reposição foram os principais motivos para deixar o clube.

Para seu lugar foi contratado Arthur Bernardes. Porém, 43 dias depois, Bernardes também pediu demissão do cargo por causa dos maus resultados do time em campo e Abel foi recontratado. Isso mesmo. Recontratado. Mas após 29 dias, Abel Braga pediu demissão pela segunda vez e saiu criticando a falta de conjunto da equipe provocada pelas mudanças no elenco.

A outra situação aconteceu em 2007 envolvendo os técnicos Cuca e Mário Sérgio. Cuca era o técnico botafoguense e pediu demissão após perder para o River Plate por 4 a 2 e ser eliminado da Copa Sul-Americana.

A diretoria agiu rapidamente e contratou Mário Sérgio. Detalhe: por telefone!! Foram apenas três jogos... e três derrotas. O suficiente para Mário Sérgio nem ir ao treino no dia seguinte e pedir demissão após oito dias no cargo. E Cuca, surpreendentemente, foi recontratado pela diretoria.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Especial Técnicos: reciclagem

Após cada rodada disputada nos campeonatos estaduais, os treinadores são cada vez mais cobrados e massacrados. E com razão. A maneira como os times vêm jogando não está convencendo. Muita bola alçada na área e pouca troca de passes, em detrimento à criatividade na construção das jogadas. Tudo em busca apenas do resultado.

Esquemas táticos cada vez mais fechados, com uma linha de quatro defensores e três volantes que “dizem saber sair para o jogo”, mas que, na verdade, só trombam na bola e não conseguem completar um passe de três metros.

A prova é o Corinthians, campeão Brasileiro no ano passado. Das 20 vitórias do Timão no torneio, 16 foram por um gol de diferença. Alguns podem me contestar: “mas ganhou o título, não é?!”. Ganhou, mas não será assim que o futebol brasileiro conseguirá resgatar o prestígio que já teve há alguns poucos anos.



Muitos treinadores brasileiros, para não dizer todos, precisam se reciclar. Aprender novos conceitos aplicáveis ao futebol. Mas não a reciclagem prometida pelo Vanderlei Luxemburgo logo após ser demitido do Atlético-MG.

Duas semanas depois, o técnico esqueceu-se do que havia dito e assinou com o Flamengo. Deixou o terno de lado e passou a usar o uniforme do clube à beira do campo. Será que essa era a tal reciclagem abordada por Luxa na última entrevista coletiva em Minas? Apenas mudar o estilo? Se for, está explicado o motivo da sua segunda demissão seguida.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Especial Técnicos: os mais rodados do Brasil nos últimos 10 anos

Recentemente, o país sofre com técnicos que não evoluem na profissão e com a falta de nomes no mercado. O resultado: os mesmos treinadores figuram há tempos no cenário nacional e usam as mesmas táticas, ou seja, não se adaptam às qualidades de cada atleta para, assim, definir um esquema. Os jogadores é que devem se enquadrar nos métodos no "professor", mesmo que aquele jeito de jogar não seja o ideal para a equipe. Desta forma, os treinadores preferem sempre seguir o mesmo caminho e ser demitido, também, como sempre.

Na dança das cadeiras entre os treinadores nos últimos dez anos, dois passaram por mais clubes do que os outros: Cuca e Joel Santana. O primeiro, atualmente no comando do Atlético-MG, e o segundo, hoje a frente do Flamengo, já trabalharam em mais da metade dos principais clubes do país, tendo comandado nove dos 16 listados. Na última década, eles trabalharam em praticamente uma equipe por ano.

Oswaldo de Oliveira, que assumiu o Botafogo no início deste ano, somou seu oitavo clube no Brasil e figura na segunda posição. Celso Roth, atualmente sem clube, é o terceiro. O gaúcho já dirigiu sete times.

O péssimo trabalho realizado por Luxemburgo nos últimos clubes em que passou está fazendo o treinador subir na lista dos técnicos mais rodados do Brasil. O acerto com o Grêmio fez este ser o sexto clube na carreira de Luxa nos últimos dez anos. Agora ele é o 4º da lista.

O mais rodado em um mesmo clube

Dos 16 clubes, todos chegaram a recontratar um técnico que havia saído o que mostra a escassez de nomes no mercado de treinadores no Brasil. O campeão nesse quesito é o Fluminense, onde Renato Gaúcho teve quatro passagens, sendo duas no mesmo ano, em 2003.

Treinadores mais rodados no Brasil nos últimos 10 anos:

1º Cuca - 9 clubes (Atlético-MG, Cruzeiro, São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Grêmio e Coritiba)

1º Joel Santana - 9 clubes (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Internacional, Coritiba, Bahia e Vitória)

2º Oswaldo de Oliveira - 8 clubes (Botafogo, São Paulo, Santos, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro e Vitória)

3º Celso Roth - 7 clubes (Grêmio, Santos, Flamengo, Vasco, Botafogo, Atlético-MG e Internacional)

4º Vanderlei Luxemburgo - 6 clubes (Grêmio, Flamengo, Atlético-MG, Santos, Cruzeiro e Palmeiras)


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Especial Técnicos: clubes europeus têm mais "paciência"

Ao contrário dos clubes brasileiros, os europeus mantêm os treinadores por mais tempo, consequentemente trocando menos. Para efeito de comparação, nos últimos dez anos, o Arsenal teve como técnico apenas o francês Arsène Wenger, que está desde 1996.

Mesmo com os Gunners amargando a falta de um título desde 2005 e ainda fazendo uma temporada 2011/2012 pífia,  não se cogita a substituição do treinador. Apenas nesta temporada, o Arsenal foi eliminado da Copa da Liga Inglesa pelo Manchester City e da Copa da Inglaterra pelo modesto Sunderland.

O time comandado por Wenger ainda luta para sustentar a quarta colocação no Campeonato Inglês e, assim, conseguir a última vaga na próxima Champions League, já que está praticamente fora da atual, após ser goleado pelo Milan por 4 a 0 no jogo de ida.

No Manchester United, o escocês Alex Ferguson está no comando desde 1986. E só sairá dos Red Devils se quiser ou aposentado.

Enquanto muitos clubes brasileiros já trocaram o técnico mais de 15 vezes nos últimos dez anos, o Liverpool teve apenas 20 treinadores desde sua fundação, em 1892. Desde 2002, aconteceram míseras três trocas de treinador nos Reds: Gérard Houllier por Rafa Benítez; Benítez por Roy Hodgson; e Hodgson por Kenny Dalglish.

No mesmo período, o badalado Barcelona teve quatro trocas no comando da equipe. No Milan, foram apenas duas trocas: Carlo Ancelotti por Leonardo que depois deu lugar a Massimiliano Allegri.

Mesmo os times que não têm muita paciência com os treinadores ainda mexem pouco na comissão técnica, se comparados com os clubes brasileiros. O Bayern de Munique trocou de técnico por cinco vezes nos últimos dez anos. A Juventus o fez em sete oportunidades, assim como a Inter de Milão.

Real Madrid e o "Patrão brasileiro de troca de técnico"

A exceção fica por conta do conturbado Real Madrid, que mudou de técnico dez vezes, média de uma troca por ano ou dois treinadores por temporada. A mesma quantidade do São Paulo, dos times grandes do Brasil, o que menos alterou a comissão técnica desde 2002.

Mas a direção madridista já anunciou que em maio deste ano José Mourinho sai. O alemão Joachim Löw é ventilado como provável substituto do português. Certo apenas é a 11ª troca de comando no Real nos últimos dez anos, alçando-o ao "patrão brasileiro de troca de técnico".

Prejuízo nas trocas

No Chelsea, a mudança de treinador já ocorreu por seis vezes e provavelmente irá para a sétima, pois o Villas Boas está balançando no cargo. Nos Blues, porém, as substituições no comando técnico trouxeram prejuízo por conta das altíssimas multas rescisórias. Em quatro anos, o clube gastou mais de R$ 170 milhões só com as trocas.

Troca de treinadores nos principais clubes europeus nos últimos 10 anos:

Manchester United: nenhuma troca

1986-até hoje - Alex Ferguson

Arsenal: nenhuma troca

1996-até hoje - Arsène Wenger

Milan: 2 trocas

2001-2009 - Carlo Ancelotti
2009-2010 - Leonardo
2010-até hoje - Massimiliano Allegri

Liverpool: 3 trocas

1998-2004 - Gérard Houllier
2004-2010 - Rafa Benítez
2010 - Roy Hodgson
2010-até hoje - Kenny Dalglish

Barcelona: 4 trocas

2002 - Carles Rexach e Louis van Gaal
2003 - Louis van Gaal, Radomir Antic e Frank Rijkaard
2003-2008 - Frank Rijkaard
2008-até hoje - Josep Guardiola

Bayern Munique: 5 trocas

1998-2004 - Ottmar Hitzfeld
2004-2007 - Felix Magath
2007-2008 - Ottmar Hitzfeld
2008-2009 - Jürgen Klinsmann
2009-2011 - Louis van Gaal
2011-até hoje - Jupp Heynckes

Chelsea: 6 trocas

2000-2004 - Claudio Ranieri
2004-2007 - José Mourinho
2007-2008 - Avram Grant
2008-2009 - Luiz Felipe Scolari
2009 - Guus Hiddink
2009-2011 - Carlo Ancelotti
2011-até hoje - André Villas Boas

Juventus: 7 trocas

2001-2004 - Marcello Lippi
2004-2006 - Fabio Capello
2006-2007 - Didier Deschamps
2007-2009 - Claudio Ranieri
2009-2010 - Ciro Ferrara
2010 - Alberto Zaccheroni
2010-2011 - Luigi Del Neri
2011-até hoje - Antonio Conte

Inter de Milão: 7 trocas

2001-2003 - Héctor Cúper
2003-2004 - Alberto Zaccheroni
2004-2008 - Roberto Mancini
2008-2010 - José Mourinho
2010 - Rafa Benítez
2010-2011 - Leonardo
2011 - Gian Piero Gasperini
2011-até hoje - Claudio Ranieri

Real Madrid: 10 trocas

1999-2003 - Vicente del Bosque
2003-2004 - Carlos Queiroz
2004 - José Antonio Camacho
2004 - Mariano García Remón
2005 - Vanderlei Luxemburgo
2006 - Juan Ramón López Caro
2006-2007 - Fabio Capello
2007-2008 - Bernd Schuster
2008-2009 - Juande Ramos
2009-2010 - Manuel Pellegrini
2010-até final da temporada 2011/12 - José Mourinho