quinta-feira, 19 de abril de 2012

Somando 2 Arenas do Jacaré não dá 1 Mineirão

Com proximidade da inauguração do novo estádio Independência – mesmo que parcial – América, Atlético e Cruzeiro voltarão a jogar na capital após quase dois anos. Desde o fechamento do Mineirão, em junho de 2010, as três equipes passaram 22 meses mandando a maior parte dos seus jogos em Sete Lagoas.

Pensando nisso, o blog Tabelinha E.C decidiu realizar um levantamento e constatou que, em dois anos jogando a 1ª fase do Estadual na Arena do Jacaré, os clubes da capital não conseguiram faturar o que atingiram com o último ano de Mineirão.

O clube que mais perdeu foi o Atlético. Somando o valor arrecadado na 1ª fase do Campeonato Mineiro’2011 e 2012, o saldo líquido* do Galo foi três vezes menor do que o alcançado na fase classificatória do Estadual de 2010, quando o time atuou no Mineirão.

Nos jogos em que foi o mandante em Sete Lagoas, no ano passado e neste ano, o alvinegro arrecadou R$ 326.770,83. Já no Gigante da Pampulha, em 2010, o Galo embolsou R$ 1.119.592,03. Ou seja, o valor auferido pelo Galo, apenas na fase classificatória do Mineiro no ano passado e nesta temporada, atingiu somente 29% do montante que o clube conseguiu em 2010.

Uma das explicações para o valor tão abaixo é o valor do ingresso que a diretoria diminuiu muito quando o Atlético jogou o Estadual na Arena pela primeira vez, em 2011. O preço médio cobrado foi de R$ 7,45, enquanto que no Mineirão, o valor médio era de R$ 17,89. Mas, na primeira fase deste ano, a direção atleticana voltou a cobrar ingressos no padrão antigo: R$ 17,59.


O América, por sua vez, também levou um grande prejuízo com a mudança para Sete Lagoas. Nos jogos em casa da 1ª fase do Campeonato Mineiro’2010, atuando no Estádio do Mineirão – pois o Independência já estava em obras –, o Coelho embolsou o valor líquido de R$ 200.211,68.

Somando o montante referente também à fase de classificação do Estadual de 2011 e 2012, o América arrecadou pouco mais da metade do valor da época em que jogou na capital: 59%, ou seja, R$ 118.754,35.

E a diretoria americana não aliviou no preço das entradas, como o Atlético. Em 2010, o valor médio do ingresso para assistir a um jogo do América na primeira fase do Mineiro foi de R$ 15,18. No ano passado, subiu para R$ 21. E nesta temporada foi elevado para R$ 22,58.

Apesar de também ter arrecadado menos, o Cruzeiro foi o que se deu melhor. Somando o saldo líquido referente à 1ª fase do Estadual de 2011 e deste ano, o clube celeste conseguiu 75% do montante recolhido quando jogou a 1ª fase do campeonato no Estádio do Mineirão, em 2010.

Jogando em Belo Horizonte, o Cruzeiro lucrou R$ 842.584,23. Enquanto que nos dois anos atuando na Arena do Jacaré, o valor chegou a R$ 633.809,26. Assim como o América, a Raposa não diminuiu o valor médio cobrado pelo ingresso, o que colaborou para o clube ter uma perda menor que o arquirrival. Em 2010, foi de R$ 19,96; no ano passado alcançou R$ 20,25; e nesta temporada foi de R$ 18,93.

Comparativo dos saldos líquidos arrecadados pelos clubes da capital na 1ª fase do Campeonato Mineiro de 2010, 2011 e 2012:

América
2010 = lucro de R$ 200.211,68

2011 = lucro de R$ 135.701,11

2012 = prejuízo de R$ 16.946,76

Atlético
2010 = lucro de R$ 1.119.592,03

2011 = lucro de R$ 37.817,44

2012 = lucro de R$ 288.953,39

Cruzeiro
2010 = lucro de R$ 842.584,23**

2011 = lucro de R$ 399.083,78

2012 = lucro de R$ 234.725,48

* Todos os números apresentados são referentes ao dinheiro que realmente entrou nos cofres dos clubes, onde eu chamo de Saldo Líquido, composto pela Arrecadação Líquida (renda bruta de bilheteria subtraída pelas despesas geradas para a realização da partida) menos o Prejuízo que o clube mandante teve em algum jogo (quando o dinheiro da bilheteria não cobriu as despesas). Já os valores para a realização desta conta foram retirados dos Boletins Financeiros de cada partida, divulgados no site da Federação Mineira de Futebol.

** O valor líquido gerado pelo jogo entre Cruzeiro e Uberaba, no Estádio Mineirão, válido pelo Estadual de 2010, foi calculado por aproximação tendo como base o público pagante e a renda informados no site oficial do Cruzeiro, na seção Fichas Técnicas. Isso porque a FMF não divulgou o Boletim Financeiro deste jogo.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Brechas para agressores

Mais uma vez o Tribunal de Justiça Desportiva deu prerrogativa a jogadores que agridem colegas de profissão dentro de campo. A punição mínima de quatro jogos aplicada ao armador Roger, do Cruzeiro, pela cotovelada nas costas do meia-atacante Danilinho, no clássico entre Atlético e Cruzeiro do último dia 8, válido pela penúltima rodada do Campeonato Mineiro, comprova que quando há leis bem feitas – fato raro no país – elas são descumpridas.

Roger foi denunciado no artigo 254-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (agressão física), com pena de quatro a 12 jogos de suspensão. O jogador do Cruzeiro deveria ser punido com a pena máxima, para servir como exemplo para os outros. Mas o advogado do clube não foi ao julgamento alegando problemas pessoais e o Cruzeiro declarou que não foi notificado oficialmente do julgamento, e solicitou o adiamento da sessão, mas os auditores negaram.



Lamentável é ver que o TJD julga apenas lances alardeados pela imprensa. Os senhores que têm o dever de apreciar, julgar e punir TODOS os atletas envolvidos em lances mais ríspidos do Estadual se esqueceram da cotovelada do meia Escudero, do Atlético, em Henik, do Villa Nova. Será que passou despercebido dos olhos do tribunal porque foi uma agressão de jogador de um time grande contra um de uma equipe menor?

Pimenta nos olhos dos outros é refresco

Após receber a notícia da punição de quatro jogos, o advogado que deveria fazer a defesa de Roger nessa terça-feira, Dr. Sérgio Rodrigues, vai alegar que o atleta foi julgado à revelia, ou seja, não havia ninguém para defendê-lo das acusações. Já advogado do Atlético, Dr. João Avelar, pediu para que a punição seja mantida para a reta final do Mineiro.

Mas em um caso parecido, os jurídicos de Atlético e Cruzeiro agiram de maneira diferente. Vocês se lembram da entrada que o lateral-direito Coelho, do Atlético, deu em Kerlon, do Cruzeiro, no clássico válido pelo Campeonato Brasileiro de 2007?



Alguns colegas da imprensa também chegaram a citar este caso, mas afirmaram que Coelho recebeu uma pena de 120 dias pela agressão (porque naquela época a punição era em dias e não em partidas como é hoje). Coelho acabou pegando a pena mínima, assim como Roger.

Pois é, mas Coelho não cumpriu os quatro meses. Dias depois, a pena foi reduzida pelo Supremo Tribunal de Justiça Desportiva, a pedido do Atlético, e o atleta cumpriu apenas cinco jogos de suspensão no Brasileirão daquele ano. O motivo para a redução da pena aplicada a Coelho foi o mais hilário. “Na explicação de seu voto a favor da redução, o auditor do STJD José Mauro afirmou que o jogador teve azar por ter sido denunciado em um momento em que a imprensa estava sem assunto”, diz a notícia da época no site JusBrasil.com.br.

Assim como Roger deveria ser punido severamente com 12 jogos de suspensão, Coelho também deveria ter sofrido a mão pesada da justiça que não pode compactuar com agressão dentro de campo. Frisa-se agressão, pois, nos dois casos, não se trata de lance de jogo, mas de covardia, o que é totalmente inaceitável.


terça-feira, 17 de abril de 2012

América e Atlético registram queda no público da 1ª fase em relação ao Mineiro do ano passado

O público total da primeira fase do Campeonato Mineiro deste ano sofreu uma queda de 20% em relação à edição do ano passado. Mas se olharmos apenas para os clubes, América e Atlético tiveram menos torcedores no estádio, enquanto o Cruzeiro foi o único da capital a registrar alta no público.

O clube que mais sofreu com a redução no número de torcedores nos estádios, durante a fase de classificação do Estadual, da temporada 2011 para este ano foi o América: queda de 76%.

Nos seis jogos da fase classificatória do Estadual do ano passado, o Coelho levou 22.064 pessoas a campo. Em 2012, o público do América nas seis partidas disputadas em casa despencou para 5.242 torcedores. Média de 874 pagantes por jogo. Um recorde negativo, já que dentre os 12 clubes que disputam a competição, o América foi o que levou menos pessoas aos seus jogos. Assim, o Coelho conseguiu ainda a proeza de ser único clube da competição a ter média de público inferior a mil torcedores por jogo.

E este número inexpressivo inclui o jogo contra o Atlético, em que os americanos foram mandantes. Apenas o clássico levou 4.067 pessoas à Arena do Jacaré, porém a maioria foi de atleticanos. Se retirarmos esta partida, sobram 1.175 americanos em cinco jogos e a média cai para 235 testemunhas por confronto.

A torcida do Atlético também teve sua presença reduzida em Sete Lagoas, em relação ao ano passado. Na primeira fase da edição 2011 do Estadual, 44.655 atleticanos compareceram ao estádio em cinco oportunidades, enquanto neste ano, a contagem regrediu para 33.435 pessoas também em cinco jogos. A queda foi de 25%.

Apenas o Cruzeiro registrou aumento no número total de torcedores comparando-se com a primeira fase do Campeonato Mineiro 2011. Neste ano, 27.183 cruzeirenses estiveram nas arquibancadas durante os seis confrontos em casa. Na temporada anterior, 25.564 torcedores apoiaram o time no Mineiro. Aumento de 6%. Vale lembrar que, no ano passado, a Raposa disputou a Libertadores junto com o Estadual, o que dividia as atenções da torcida, fato que não acontece agora.

América
Público em 2011                Público em 2012         Redução
22.064 torcedores               5.242 torcedores            76%

Atlético
Público em 2011               Público em 2012         Redução
44.655 torcedores             33.435 torcedores            25%

Cruzeiro
Público em 2011               Público em 2012         Aumento
25.564 torcedores              27.183 torcedores            6%


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Público piora na 1ª fase do Campeonato Mineiro 2012

Que os campeonatos estaduais estão defasados, quase todo mundo concorda. Não que eles precisem acabar, mas uma reformulação no método de disputa necessita ser feita o mais rápido possível. A primeira fase do Campeonato Mineiro terminou nesse final de semana com público abaixo da edição do ano passado. Nas 66 partidas disputadas, 188.701 espectadores assistiram aos confrontos. A média foi de 2.859 pessoas em cada jogo. Em relação ao ano passado, o público total na fase classificatória caiu 20%.

A desculpa desta vez não pode ser a Arena do Jacaré, pois no ano passado, América, Atlético e Cruzeiro disputaram o Estadual em Sete Lagoas e o público total na primeira fase alcançou 236.094, uma média de 3.632 pagantes por partida. O anúncio da reinauguração do Independência para o dia 25 deste mês é o alento para Galo, Raposa e Coelho. Só falta confirmar se será uma reinauguração em definitivo.

O que pode ter desmotivado os torcedores, principalmente os da capital, a ir à Sete Lagoas este ano foi a campanha desastrosa das três equipes no Campeonato Brasileiro 2011. Como comparação, no Mineiro de 2010, disputado pelo trio de BH no estádio do Mineirão – sendo que o Independência já se encontrava em obras –, o público total na primeira fase foi de 343.308, uma média de 5.202 torcedores por jogo.

Mas aí eu pergunto: será mesmo que a queda na presença do público no Campeonato Mineiro, ano a ano, é pela falta de um estádio na capital? Ou seria por causa da falta de atrativos do Estadual?


domingo, 15 de abril de 2012

Atlético alcança o melhor aproveitamento da 1ª fase do Mineiro na atual fórmula de disputa

O empate por 0 a 0 com o Tupi fez com que o Atlético perdesse a incrível sequência de partidas marcando gol, porém a equipe alvinegra conquistou o melhor aproveitamento na 1ª fase do Campeonato Mineiro desde a edição 2004, quando o torneio passou a ser disputado no atual modelo com fase classificatória, semifinais e final.

Com 29 pontos em 11 jogos, o Atlético terminou a primeira fase com 87,8% de aproveitamento. No entanto, a marca poderia ter sido ainda maior. Se vencesse o Tupi, além de somar 21 partidas seguidas marcando gol, a equipe de Cuca conquistaria 93,9% dos pontos disputados.

Vale ressaltar que, em 2003, o Cruzeiro conquistou o Mineiro de forma invicta e com 88,8% de aproveitamento, mas, naquele ano, o campeonato foi disputado por pontos corridos em turno único e quem chegasse à frente seria o campeão.

Outro feito alcançado pela equipe atleticana foi ter concluído a primeira fase como líder e sem ter perdido nenhum jogo. Desde 2004, apenas o Ipatinga, em 2006, alcançou este patamar.

Em 2009, o Cruzeiro também ficou sem perder na fase classificatória, porém ficou em segundo lugar, atrás do Atlético. Mas nos jogos da semifinal e final, o time celeste conseguiu três vitórias e um empate, tornando-se a única equipe até hoje a conquistar de forma invicta o Campeonato Mineiro em sua fórmula atual, fato que pode ser igualado pelo Atlético neste ano.

Acompanhe o aproveitamento do líder da 1ª fase desde 2004:

Campeonato Mineiro 2011:
Cruzeiro - 28 pontos em 11 jogos (84,8%)

Campeonato Mineiro 2010:
Cruzeiro - 24 pontos em 11 jogos (72,7%)

Campeonato Mineiro 2009:
Atlético - 26 pontos em 11 jogos (78,7%)

Campeonato Mineiro 2008:
Cruzeiro - 26 pontos em 11 jogos (78,7%)

Campeonato Mineiro 2007:
Cruzeiro - 25 pontos em 11 jogos (75,7%)

Campeonato Mineiro 2006:
Ipatinga - 25 pontos em 11 jogos (75,7%)

Campeonato Mineiro 2005:
Cruzeiro - 26 pontos em 11 jogos (78,7%)

Campeonato Mineiro 2004:
Atlético - 28 pontos em 13 jogos (71,7%)