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sexta-feira, 30 de março de 2012

Campanha do Democrata-GV poderá ser a pior dos últimos 7 anos

Foto: divulgação/site Democrata-GV

No Campeonato Mineiro deste ano ficou escancarado o abismo que separa Atlético, Cruzeiro e América dos outros times. Mesmo após a derrota do Coelho para o Tupi, o time de Givanildo Oliveira ainda é muito superior às equipes do interior do estado. Assim como o triunfo do Guarani, de Divinópolis, sobre o Cruzeiro, em jogo antecipado da segunda rodada, também foi por acaso.

Os times do interior enfrentam os da capital, principalmente Atlético e Cruzeiro, contentando-se apenas em se defender. A partida se transforma em um mero treino de ataque contra defesa. Desta forma, a campanha ao longo da primeira fase fica abaixo das desenvolvidas nos últimos anos.

Olhando para a parte de baixo da tabela encontramos o Democrata-GV com apenas 1 ponto em oito rodadas. Apenas o Guarani, de Divinópolis, foi capaz de se aproximar de uma campanha tão desastrosa como a deste ano da Pantera.

Em 2009, o Bugre foi rebaixado sem vencer uma partida sequer no Campeonato Mineiro. Naquele ano, na oitava rodada, o Guarani também estava com 1 pontinho. Porém, o time de Divinópolis conseguiu mais dois empates nas duas últimas rodadas e terminou o campeonato com 3 pontos.

Por isso, caso não some mais dois pontos nas próximas três rodadas, o Democrata-GV pode terminar a primeira fase do Mineiro como a pior campanha desde a edição de 2005, quando foi implantado o novo regulamento com 12 equipes.

Em termos de comparação, a campanha do Democrata-GV é tão preocupante que no Estadual de 2011, Ipatinga e Funorte foram rebaixados com 7 e 5 pontos, respectivamente, e ambos conseguiram obter uma vitória. Na oitava rodada, o Tigre não havia vencido ainda, mas já estava com 4 pontos. Já o Funorte, chegou a vencer um jogo (justamente na 8ª rodada) e estava com 5 pontos.

No Mineiro de 2010, Uberlândia e Ituiutaba foram rebaixados com 5 pontos e venceram pelo menos uma partida antes de completar a oitava rodada, onde ambos já se encontravam na lanterna, porém com 4 pontos. Uma campanha quatro vezes melhor do que a do Democrata-GV neste ano.

Campanha inferior também para se classificar em quarto lugar

A fraca campanha das equipes do interior de Minas também se reflete na parte de cima da tabela. Antes da vitória sobre o América, na última quarta-feira, o Tupi, quarto colocado, estava com 54% de aproveitamento. Hoje, a equipe de Juiz de Fora subiu para 59,26%. Mesmo assim está abaixo da média dos últimos dois anos, quando o quarto lugar se classificou com 63,64% de aproveitamento.

No Mineiro de 2010, se classificavam oito equipes, mas o Tupi terminou a primeira fase em quarto lugar com 21 pontos. No ano passado, foi a vez do América-TO se classificar para a semifinal como o quarto colocado, também com 21 pontos.

Faltando apenas duas partidas para terminar a primeira fase para o Tupi, a equipe tem 16 pontos e poderá chegar a 22 pontos, superando a marca do quarto colocado dos campeonatos passados. Porém, o Galo de Juiz de Fora ainda terá de enfrentar o Atlético na última rodada, o que dificultará bastante para que o time supere os 21 pontos.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Empresas buscam dinheiro fácil e clubes erram no planejamento

Visando diminuir a dependência dos clubes em relação aos grupos de investidores, algumas empresas vêm criando outras formas para contratar jogadores para as equipes. É o chamado 'financiamento colaborativo', onde o torcedor paga uma determinada quantia com o objetivo de arrecadar dinheiro até certa data para a aquisição de um atleta para o clube do coração.

A empresa mais conhecida é a MOP - My Own Player (meu próprio jogador), um site que está na campanha para trazer o volante Wesley, do Werder Bremen, para o Palmeiras por meio de doações de dinheiro dos torcedores, onde o valor mínimo é R$ 100,00. O site é wesleynoverdao.com.br. O pior é que equipes como o Palmeiras, aderem a fórmulas que eu chamo de “nova forma de ganhar dinheiro fácil no Brasil”.

Isso porque o mais interessante é que a empresa responsável pelo site ficará com 10% do valor arrecadado. A informação é de André Barros, responsável pelo My Own Player. A fatia pode chegar a R$ 2,1 milhões caso o Palmeiras consiga os R$ 21 milhões pretendidos até 25 de março. É ou não é uma forma mais fácil de angariar uns milhões por aí?

Reprodução do site My Own Player
Outro site com propósitos semelhantes está em funcionamento em formato experimental (beta) desde o final do ano passado. Porém, diferentemente do MOP, no Clube.me além do clube, o torcedor pode sugerir projetos para os clubes, como a contratação de um atleta, melhorias na infraestrutura, reparos no estádio e no CT, além do absurdo pagamento de “bicho” a jogadores por um título de campeonato. Basta o interessado realizar o cadastro da ideia no site. Bem que previam que 2012 será o fim do mundo...

Reprodução do site Clube.me
Mas voltando ao texto, os administradores do Clube.me vão analisar a proposta cadastrada e caso seja a escolhida, será publicada. A partir de então, a ideia entra em votação. Para vingar, a ideia da contratação de determinado jogador deve atingir a meta de 10 mil torcedores cadastrados aptos a doarem o dinheiro para a campanha.

Quando o objetivo for alcançado, o Clube.me se encarrega de entrar em contato com o clube, que pode apostar na iniciativa ou não. Em caso positivo, o clube informa ao site a data do término da campanha e o valor que precisará arrecadar para que o projeto se concretize.

Depois, ambos divulgam o projeto e os torcedores podem optar por apoiá-lo com qualquer valor a partir de R$ 10,00. Em contrapartida, o site oferece recompensas aos doadores que vão desde boné, meia, gorro e cachecol até a camisa oficial do clube participante. Se o valor sugerido pelo clube for atingido pela campanha, o site faz a entrega e fica com uma porcentagem, que seria acertada com o clube.

Caso o plano dê errado, os doadores ficarão com créditos para outros projetos do site, ou seja, o dinheiro doado não será desbloqueado, diferentemente do MOP que devolve ao torcedor contribuinte o valor retido no cartão de crédito.

Projetos ainda não decolaram

Assim como a campanha do MOP para trazer Wesley para o Palmeiras não está dando certo (após 20 dias, pouco mais de R$ 500 mil, ou 2,6% dos R$ 21 milhões foram arrecadados), as do Clube.me também afundam. O atacante Adriano, dispensado recentemente do Corinthians, está no site para ser votado pelos torcedores que desejam vê-lo no Flamengo. Entretanto, até as 16 horas da data desta postagem, o Imperador atingiu apenas 1% da meta, recendo 134 apoiadores dos 10 mil que gostariam de investir na sua contratação.

Reprodução do site Clube.me
O site ainda conta com votações para investimento em outros jogadores, como a compra dos direitos econômicos do meia argentino Bertoglio, emprestado ao Grêmio (atingiu 25% da meta dos 10 mil votos); pela permanência de Leandro Damião, no Internacional (2% votos); e pela renovação de contrato do Cruzeiro com o atacante Wallyson, que termina no meio deste ano, com 0% da meta alcançada e apenas 4 torcedores que apoiam a causa.

Falta de planejamento dos clubes

E aí vêm os questionamentos. Os torcedores ajudam a comprar o jogador, mas, se depois de um ano, surgir uma boa proposta pelo atleta e o clube o vender? Como ficam os torcedores? Com cara de otário, não é!

Não seria melhor desenvolver um plano de sócio-torcedor, que funciona praticamente da mesma forma, sem contar a renda extra que entraria com cobrança para visitar o museu, restaurante, cinema ou o bar do clube? Tudo isso e ainda por cima não teria que pagar as tais comissões por fora. Mas o pensamento dos nossos clubes é tão pequeno que preferem se entregar a empresas que visam apenas o próprio lucro.

Os clubes já ganham milhões nas custas do torcedor que compra ingresso, produtos originais, pay-per-view... e agora têm que bancar contratações? É muito para o dinheirinho suado do pobre indivíduo que apenas torce por um time de futebol.